Com o fim iminente da Receita Básica do Sistema Existente (RBSE), investidores da ISA Energia (antiga Transmissão Paulista) têm motivos para atenção redobrada. A RBSE, que representa quase metade das receitas atuais da empresa, tem prazo para acabar: 2028. Afinal, vale ou não a pena investir na ISA Energia agora?
O que é a RBSE e por que preocupa investidores?
A RBSE é uma compensação financeira obtida pela ISA Energia após disputas judiciais, representando valores que deveriam ter sido pagos desde 2014, mas que só começaram a ser recebidos em 2017. Atualmente, a receita proveniente da RBSE representa uma parcela significativa do faturamento da empresa, chegando a aproximadamente 50% da receita total.
A preocupação do mercado é clara: com o término da RBSE em 2028, ISA Energia perderá aproximadamente R$ 1,5 bilhão de receita anual. Este cenário gera dúvidas sobre a capacidade da empresa em substituir integralmente esse valor por receitas operacionais recorrentes.
Como ISA Energia planeja compensar a perda da RBSE
Para enfrentar essa redução, a ISA Energia aposta principalmente em dois caminhos: reforços e melhorias em suas linhas existentes e novos projetos (Greenfield).
- Reforços e melhorias: Até 2028, a empresa planeja investir cerca de R$ 5,5 bilhões em melhorias nas linhas já existentes, principalmente em sua concessão paulista, uma infraestrutura antiga e que demanda atualizações constantes. Estes investimentos devem gerar uma receita adicional recorrente estimada em R$ 792 milhões anuais a partir de 2028.
- Projetos Greenfield: Além disso, seis grandes projetos novos de transmissão já estão em execução, somando investimentos de R$ 7,5 bilhões. Quando concluídos, estes projetos acrescentarão cerca de R$ 978 milhões por ano às receitas operacionais.
Com essas estratégias combinadas, a ISA Energia pretende substituir integralmente a receita da RBSE e ainda gerar um incremento adicional em sua receita operacional até 2028.
Riscos e pontos de atenção
Mesmo com esses planos, o cenário não é livre de riscos. A ISA Energia enfrentará um período de alto endividamento, com expectativa de pico da alavancagem (relação dívida líquida/EBITDA) atingindo até quatro vezes em 2027. O mercado pode reagir negativamente neste período transitório, gerando volatilidade no preço das ações.
Outro ponto sensível é a velocidade de entrega dos projetos Greenfield e a realização efetiva dos retornos esperados dos reforços e melhorias. Qualquer atraso ou desempenho abaixo das expectativas pode afetar negativamente as projeções atuais.
Perspectivas e conclusões
ISA Energia possui estratégias sólidas para lidar com o fim da RBSE, porém o investidor deve ponderar se está disposto a enfrentar o risco temporário de volatilidade no preço das ações. Comparativamente, é necessário avaliar se outras transmissoras, como Taesa, Alupar ou Cemig, apresentam melhor potencial de retorno ajustado ao risco.
Em resumo, ISA Energia não se tornou uma empresa ruim, mas exige cautela devido ao contexto que se aproxima com o fim da RBSE. Avalie cuidadosamente os planos da companhia, especialmente se o seu horizonte de investimento ultrapassa o ano de 2028.
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