Após escrever uma carta em que demonstrava querer permanecer com o advogado criminalista Dracon Luiz Calvacante Lima em sua defesa, Renê da Silva Nogueira Júnior, de 47 anos, recuou mais uma vez. Ele é autor confesso da morte do gari Laudemir Fernandes em Belo Horizonte.
Citando “tumulto processual”, a juíza Ana Carolina Rauen Lopes de Souza mandou intimar Renê após várias trocas dos advogados, determinado que ele decidisse qual seria o advogado responsável por sua defesa. Nessa quinta-feira (28), intimado por oficial de Justiça, ele informou, no bojo do próprio mandado, que ficaria apenas com o advogado Bruno Silva Rodrigues, do Rio de Janeiro, constituído no início desta semana.
Mudanças de advogado, carta e “tumulto processual”
O “tumulto processual” que a juíza cita no despacho desta semana, tem a ver com as trocas de defensores em curto espaço de tempo. No dia 18 deste mês, a equipe inicial da defesa renunciou à representação de Renê Júnior. Em petição enviada à Justiça, os advogados Leonardo Salles, Leandro Salles e Henrique Pereira declararam que a renúncia ocorreu “por motivo de foro íntimo”.
Após isso, ele nomeou o criminalista Dracon Luiz Cavalcante Lima e, na segunda-feira passada (25), o carioca Bruno Silva Rodrigues juntou procuração como defensor do suspeito. Depois disso, no mesmo dia, Renê Silva escreveu uma carta de próprio punho confirmando que iria manter Dracon Lima em sua defesa e que tudo não passara de um mal-entendido.
Intimado ontem (29) após determinação da juíza, ele afirmou que seria defendido apenas por Bruno Silva Rodrigues.
Leia a carta de Renê na íntegra
Eu, Renê da Silva Nogueira Júnior, tinha dado autorização para o Dr. Dracon via procuração para me defender no meu nome. Gostaria de reforçar que acredito no trabalho do mesmo e reforço a necessidade que meus advogados trabalhem em parceria. O que aconteceu foi um acidente com a vítima e me sinto bem representado tanto pelo Dr. Dracon como pelo Dr. Bruno Rodrigues. Tenho certeza que resolveremos esse mal entendido. Pedi ao mesmo para não sair do meu caso. Que Deus abençoe.
A: Renê S. N. Júnior
25 de agosto de 2025
O crime
Conforme a ocorrência policial, o crime aconteceu na rua Modestina de Souza, no bairro Vista Alegre, região Oeste da capital, na manhã do dia 11 de agosto deste ano. Conforme testemunhas, um caminhão de lixo estava parado na rua, durante a coleta de resíduos, quando o gestor comercial Renê Junior exigiu para que fosse liberado espaço na via para passar com o veículo que dirigia, um BYD cinza.
Irritado, ele ameaçou a motorista do caminhão com uma arma. Os garis tentaram intervir e pediram que ele se acalmasse. Foi nesse momento que ele saiu do veículo e disparou contra os funcionários, acertando Laudemir, que não estava envolvido na confusão. “E aí ele entrou do carro e foi embora. Não prestou socorro, nem olhou para trás, ele seguiu o caminho dele”, relatou ao BHAZ a motorista do caminhão, Eledias Aparecida.
Renê Junior é marido da delegada Ana Paula Balbino, da Polícia Civil de Minas Gerais. A PCMG confirmou que a arma usada no homicídio está registra em nome da delegada Ana Paula Balbino, sendo de uso pessoal da policial. Renê alegou que pegou a pistola sem o consentimento da companheira e afirmou que ela não soube do crime. Mesmo assim, a servidora é alvo de uma investigação da Corregedoria-Geral da Polícia Civil.
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