Estação Barra Funda enfrenta superlotação após fim do serviço 710 da CPTM


Interrupção do serviço 710 da CPTM gera tumulto na Barra Funda
Desde o fim oficial da Linha 710 da CPTM nesta quinta-feira (28), a estação Palmeiras-Barra Funda, na Zona Oeste de São Paulo, enfrenta caos e superlotação nos horários de pico da manhã e da tarde.
A intenção do governo de São Paulo de transformar a estação em um “hub de trens”, recebendo passageiros de diversas linhas públicas e privatizadas, tem gerado reclamações por parte dos usuários.
Segundo registros do Bom Dia SP, da TV Globo, desde ontem há relatos de plataformas, escadas e trens lotados, o que tem atrasado tanto a chegada ao trabalho quanto o retorno para casa.
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A estação, que já era ponto de partida da Linha 3-Vermelha do Metrô e do Expresso Aeroporto da CPTM, agora também recebe passageiros das linhas 11-Coral e agora de mais duas linhas.
O caos é agravado por duas escadas de acesso às plataformas que também estão interditadas para obras de melhoria.
A principal crítica dos passageiros é a perda de praticidade com o fim da Linha 710, que permitia a integração direta entre as linhas 7-Rubi e 10-Turquesa.
Passageiros enfrentam superlotação na estação Barra Funda, na Zona Oeste de SP, na manhã desta sexta-feira (29).
Herminio Bernardo/TV Globo
Agora, quem vinha da 7-Rubi e seguia até a estação da Luz precisa descer na Barra Funda e fazer baldeação.
Muitos classificam a mudança como uma “regressão” no sistema de transporte sobre trilhos da capital, que tinha a estação Barra Funda como um entroncamento de linhas com movimentação grande de passageiros nos horários de rush, mas que agora está “caótico e desorganizado”.
“Moro em Francisco Morato. Eu fazia de Francisco Morato até a Luz, para depois pegar o metrô e ir para a estação São Joaquim. Só que agora tenho que descer na Barra Funda, pegar outro trem. Não ficou legal pra ninguém. Tudo lotado as escadas, os trens. Vou demorar pelo menos mais meia hora no meu trajeto todo dia”, afirmou o porteiro Fábio do Nascimento.
Passageiros enfrentam superlotação na estação Barra Funda, na Zona Oeste de SP, na manhã desta sexta-feira (29).
Hermínio Bernardo/TV Globo
“Saio do Itaim Paulista, tenho que ir até o Brás. E a minha opção era pegar a Linha Direto até Perus. Só que agora tenho que descer lá, pegar um até a Barra Funda e agora fazer a baldeação. Ficou tudo mais complicado. Vou ter que acordar mais cedo e sair mais cedo de casa para conseguir chegar no horário no estágio. Vou perder pelo menos 25 minutos a mais do meu dia por isso”, contou Carla Gaia, estudante de Psicologia.
Segundo os relatos ouvidos pelo Bom Dia SP, até passageiros que se dirigem à Rodoviária do Tietê pelas linhas de trens que servem os municípios da Grande SP estão sendo prejudicados pelos atrasos.
Isso porque, antes, ele podia descer na estação Luz e pegar o Metrô direto para a Rodoviária. Agora, o ponto final na Barra Funda obriga quem vai pegar ônibus para fora da cidade a fazer mais uma ou duas baldeações no sistema de transporte para chegar ao mesmo local.
Além das linhas da CPTM e da TIC Trens, a estação Barra Funda atende a Linha 8 – Diamante da Viamobilidade e um terminal de ônibus municipal, da SPTrans.
Os passageiros também reclamam que quem embarca pela Linha 7-Rubi não tem mais conexão com nenhuma linha do sistema, a única baldeação é na Barra Funda.
Com o fim do serviço 710, ele perdeu a ligação com a Linha 1-Azul do Metrô, a 4-Amarela na Luz e a Safira, no Brás, além da Linha 2-Verde, em Tamanduateí.
O g1 procurou a CPTM para falar sobre o assunto, mas não recebeu retorno até a última atualização desta reportagem.
Carla Gaia e Fábio Nascimento são usuários da CPTM e reclamam de superlotação na Barra Funda, na Zona Oeste de SP.
Reprodução/TV Globo
Fim da Linha 710 da CPTM
As linhas de trem 7-Rubi e 10-Turquesa passaram a operar separadas nesta quinta-feira (28) na cidade de São Paulo, significando o fim do Serviço 710, que as unia em viagens diretas.
Com isso, os passageiros que antes faziam o trajeto sem baldeação terão que trocar de trem na estação Palmeiras-Barra Funda, na Zona Oeste da capital.
Porém, segundo a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), o Serviço 710 não foi extinto e deverá voltar a funcionar.
Artesp diz que ‘Serviço 710’ deve voltar em SP.
“É um até logo”, afirma André Isper, diretor-presidente da Artesp. “Esse serviço vai voltar a partir do momento em que tivermos trocado as sinalizações das linhas 7 e 10 para o padrão europeu adotado em São Paulo e autorizarmos, com as duas concessionárias sob nosso guarda-chuva, um plano operacional em que um trem da 7 sirva à 10 e um trem da 10 sirva à 7.”
De acordo com Isper, os investimentos necessários para reativar o Serviço 710 estão projetados para cerca de cinco anos.
No primeiro dia sem o serviço, nesta quinta (28), passageiros com destino às regiões de Jundiaí e Rio Grande da Serra enfrentaram muitas dificuldades de acesso à plataforma de embarque na estação Palmeiras-Barra Funda, desde o começo da manhã.
Grandes filas se formaram na única escada fixa disponível para chegar à plataforma. Funcionários da concessionária TIC Trens orientaram os passageiros sobre onde deveriam embarcar.
A TIC Trens promete investimentos no sistema de energia para aumentar o número de trens em circulação e desafogar os tempos de espera na Linha 7-Rubi.
Como ficou a operação
Em razão das modificações, a Linha 7-Rubi “encurtou”: passou a ligar Jundiaí até a estação Palmeiras-Barra Funda, deixando de seguir até a Luz.
CPTM vai acabar com o ‘Serviço 710’
Por sua vez, a Linha 10-Turquesa foi estendida de Rio Grande da Serra até o terminal Palmeiras-Barra Funda. O trajeto da Linha 11-Coral também foi ampliado, da Luz até a Barra Funda, em horários específicos.
Segundo a CPTM, a estação Barra Funda foi escolhida para concentrar as baldeações por ter maior capacidade de receber os novos fluxos. “Ela tem dez plataformas, um amplo mezanino e uma área de circulação bastante adequada”, diz Iran Leão, gerente de operações da companhia.
Contrato de concessão sem o Serviço 710
Muitos passageiros terão de fazer mais baldeações.
Reprodução/TV Globo
O fim do Serviço 710 aconteceu no mesmo dia em que a concessionária TIC Trens iniciou a fase de transição para assumir a operação da Linha 7-Rubi.
O contrato de concessão, elaborado pela Secretaria de Parcerias em Investimentos, não prevê a continuação do serviço unificado. Ele nem sequer é mencionado no documento de 420 páginas, que deixa clara a ligação entre a estação Barra Funda e Jundiaí pela Linha 7.
Criado em 2021, o Serviço 710 integrava as linhas 7-Rubi e 10-Turquesa, oferecendo viagens sem baldeações, intervalos menores e mais conexões com outras linhas.
Com a integração, surgiu uma espécie de “superlinha”, com 31 estações e 100 quilômetros de extensão.
Na época, a CPTM destacou que a medida traria viagens mais rápidas e comemorou, em seu primeiro aniversário, a redução na necessidade de várias baldeações para “centenas de milhares de pessoas todos os dias”.
Com o fim do modelo, as baldeações voltam a fazer parte da rotina dos passageiros.
A CPTM, porém, afirma que a mudança terá impacto mínimo. “É claro que o conforto do passageiro que não fazia nenhuma conexão agora exigirá uma, mas, em um sistema tão grande como o nosso, sempre haverá necessidade de baldeações”, disse Iran Leão.
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