Ultrapassou, e desobeja, a característica de mais uma ação articulada das polícias, a “Operação Carbono Oculto”: não se limitou a prisões, bloqueios de bens e desmantelamento de esquemas alinhando bandidos e “investidores”.Foi muito além a inteligência policial, em meio ao combate à sonegação e “lavagem” de dinheiro no setor de combustíveis: revelaram os investigadores as entranhas corrompidas de um mercado controlado por organizações criminosas.As equipes de 1.400 agentes públicos espalhados em 10 estados “desoculturam” o “carbono”, entendendo a metáfora utilizada no nome da operação como método de comprovar a participação de ao menos mil postos de combustíveis.Não se limita a alça de mira perfeita a ocultar patrimônio construído ilicitamente por grupos os quais não se sabe nomear “empresariais” ou “clandestinos”, resultando a sensação de erosão no conceito de um só edifício criminal híbrido.Às autoridades governamentais não se pode deixar de louvar o destemor e a capacidade de romper comumes quem a cuja origem não se deu da noite para o dia,pois o tráfico de narcóticos já não cabia em si mesmo, daí o “Carbono Oculto”.Os elos das redes de combustíveis, desde importação, produção, distribuição e comercialização ao consumidor final passavam pela ocultação e blindagem do patrimônio, via empresas de tecnologia financeiras, as chamadas “fintechs”.Também os fundos de investimentos estão envolvidos nas estratégias levando a 40 endereços da avenida Faria Lima,símbolo da “prosperidade”; vê-se agora o quanto esta máscara não sustenta o perfil.Os mandados de busca e apreensão em 350 alvos, entre pessoas físicas e jurídicas, podem indicar novas trilhas buscando desbaratar outras quadrilhas, como é de interesse da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN).As ações judiciais cíveis já em trâmite buscam bloquear mais de R$ 1 bilhão; no entanto, pelo entrosamento e engajamento das forças associadas para fins delituosos, o montante inicial projeta a perspectiva de escalada na subtração das cifras.
Entranhas corrompidas
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