O presidente Luiz Inácio Lula da Silva volta a apostar no petróleo como estratégia de fortalecimento político e econômico. Assim como no início de seu primeiro mandato, quando ganhou prestígio com a descoberta do pré-sal, Lula enxerga na Margem Equatorial a chance de colher novos frutos políticos em um cenário desafiador para seu governo.
A região, que se estende do Amapá ao Rio Grande do Norte, é considerada altamente promissora. Descobertas recentes na Guiana, Suriname e Guiana Francesa aumentam o otimismo de especialistas quanto ao potencial de grandes reservas em águas brasileiras. Perfurações próximas à foz do Rio Amazonas, a cerca de 500 km da costa, já atraem atenção de investidores e políticos.
Divisão no governo
Apesar do entusiasmo, a exploração enfrenta resistência. De um lado, o Ministério de Minas e Energia e aliados políticos, como o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, apoiam o avanço da Petrobras na região. Do outro, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e órgãos como o Ibama alertam para os riscos ambientais, especialmente diante da proximidade com áreas sensíveis da Amazônia.
O peso da COP 30
A polêmica ganha ainda mais força porque o Brasil sediará a COP 30, em Belém, o maior evento climático da ONU. O dilema do governo é conciliar a imagem de defensor do meio ambiente com a aposta em uma nova fronteira petrolífera. Para justificar, o Planalto argumenta que a receita vinda do petróleo ajudará a financiar a transição energética e acelerar investimentos em fontes renováveis.
Memória do pré-sal
O próprio Lula já usou o petróleo como símbolo político. Em 2007, ao anunciar a descoberta do pré-sal, apareceu com as mãos sujas de óleo em um macacão da Petrobras, numa cena icônica que associou seu governo à prosperidade. Agora, a estratégia parece se repetir: usar o petróleo da Margem Equatorial como motor de crescimento e como narrativa de “nova descoberta” que pode gerar empregos, investimentos e, claro, dividendos eleitorais.
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