Mercado de petróleo vive impasse entre oferta e demanda

Em relatório recente, a consultoria norueguesa aponta que as reservas comprovadas de petróleo no mundo só são suficientes para manter o atual nível de produção por mais 14 anos. A projeção acende um sinal vermelho num momento em que a demanda por petróleo pode crescer — ou despencar, caso a transição energética avance com mais força.

Reservas e descobertas: números que preocupam

Em 2024, o mundo produziu cerca de 30 bilhões de barris de petróleo. No mesmo ano, as descobertas de recursos recuperáveis aumentaram em 5 bilhões de barris, graças, sobretudo, às explorações em Vaca Muerta (Argentina) e na Bacia do Permiano Delaware (Texas e Novo México, EUA). No entanto, esse crescimento não compensa a produção acelerada.

O estoque total de recursos recuperáveis gira em torno de 1,5 trilhão de barris. O número é aparentemente alto, mas esconde um dado crítico: a revisão nas últimas décadas reduziu em 456 bilhões de barris as projeções de recursos ainda não descobertos. A principal razão é a queda na exploração em regiões de fronteira, os insucessos com o xisto fora das Américas e o aumento expressivo nos custos offshore.

Reposição de reservas em queda

Segundo a Rystad, os novos projetos de petróleo convencional devem repor menos de 30% da produção total até 2030. Na exploração, a taxa é ainda menor: apenas 10%. Isso indica que, se não houver avanços tecnológicos ou forte investimento, a indústria não conseguirá acompanhar o consumo global.

“Nas próximas décadas, o capital necessário provavelmente não estará disponível para atender à crescente demanda por petróleo”, afirmou Per Magnus Nysveen, analista-chefe da Rystad.

Ele também ressaltou que, com a possível elevação dos custos e a falta de interesse em tecnologias para produção de petróleo de alta emissão, a indústria pode enfrentar um colapso na capacidade de expansão.

Transição energética pode mudar o jogo

A Rystad reconhece que o cenário pode ser alterado por uma aceleração na transição energética. A eletrificação dos transportes, sobretudo em países como a China, pode reduzir substancialmente a demanda por petróleo.

Mesmo assim, a empresa considera pouco provável que a demanda continue em crescimento acentuado até 2050. Esse argumento é reforçado pela análise climática: o cenário mais extremo de aquecimento previsto pelo IPCC (2,8°C) pode não se concretizar, caso o consumo de combustíveis fósseis siga em desaceleração.

No cenário mais quente projetado pela Rystad (2,5°C), o limite para emissões de CO₂ provenientes de combustíveis fósseis é de 2.000 Gt — sendo 900 Gt do carvão, 600 Gt do petróleo e 500 Gt do gás natural e líquidos associados.

Superciclo à vista?

Se a demanda por petróleo continuar alta após 2030, como prevê a OPEP, seria necessário um novo superciclo. Isso demandaria maior sucesso em explorações de fronteira, uso intensivo de recuperação secundária e o desenvolvimento de reservas de xisto pouco exploradas em escala global.

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