Brasil aposta nos biocombustíveis para o transporte marítimo da Noruega com apoio da Petrobras

A Embaixada do Brasil em Oslo realizará no dia 1º de outubro de 2025 um seminário voltado a operadores do setor marítimo norueguês para apresentar os biocombustíveis brasileiros como alternativas viáveis e sustentáveis. A iniciativa acontece em um momento crítico para a Noruega, que acelera sua transição energética e implementará, já em 2026, regras que exigem emissão zero para embarcações turísticas em fiordes considerados Patrimônio Mundial da UNESCO.

Segundo o embaixador do Brasil na Noruega, Roberto Azeredo, o evento surge após o interesse direto da poderosa Associação Norueguesa de Armadores (NSA) por soluções sustentáveis como etanol, metanol e biocombustíveis marinhos brasileiros. “Não é uma discussão de longo prazo, é uma necessidade imediata”, afirmou Azeredo. “O Brasil tem tecnologia de ponta e capacidade para atender essa nova demanda global.”

Petrobras apresenta biobunker e Brasil reforça presença estratégica

Entre os destaques brasileiros no seminário está a Petrobras, que levará ao evento seu biobunker — um biocombustível para navegação que já contém 24% de biodiesel de segunda geração. A estatal vê a iniciativa como uma oportunidade para ampliar a atuação no mercado internacional, aproveitando a crescente pressão regulatória sobre emissões no transporte marítimo.

Além da Petrobras, o evento contará com a presença da federação empresarial norueguesa NHO e empresas brasileiras com foco em soluções sustentáveis. Como gesto de diplomacia e reforço dos laços bilaterais, o Brasil também enviará um navio-escola da Marinha ao país escandinavo durante as atividades.

Noruega endurece regras para descarbonização naval

Apesar da meta nacional da Noruega de atingir emissões líquidas zero até 2050, medidas mais restritivas entrarão em vigor já no próximo ano. O governo norueguês determinou que embarcações com menos de 10 mil toneladas operando nos fiordes ocidentais de Geiranger e Nærøyfjord deverão ser totalmente livres de emissões a partir de 2026.

O plano nacional segue a estratégia da Organização Marítima Internacional (OMI), que prevê emissões líquidas zero no setor marítimo internacional até 2050. A trajetória inclui metas intermediárias: redução de 30% das emissões até 2035 e 65% até 2040. Em abril, a OMI aprovou novo critério para medir a pegada de carbono dos combustíveis, passando a considerar todo o ciclo de vida — da produção ao consumo —, o que favorece países como o Brasil com matriz energética mais limpa.

Brasil mira protagonismo no fornecimento global

Segundo estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV), o setor marítimo responde por cerca de 3% das emissões globais de gases do efeito estufa, o equivalente a 840 milhões de toneladas de CO₂ ao ano. No caso da Noruega, o número é ainda mais expressivo: o transporte marítimo representa 8% das emissões totais do país e 24% das emissões ligadas ao transporte.

O Brasil, com know-how em produção de biocombustíveis e uma base tecnológica consolidada, posiciona-se como fornecedor estratégico para atender a essa nova demanda internacional. “Queremos que empresas brasileiras também vendam seus serviços aqui, especialmente em biocombustíveis e energia. Há espaço”, reforçou o embaixador Azeredo.

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