Queda no preço do petróleo derruba exportações da Arábia Saudita

A Arábia Saudita registrou uma queda de 15,8% no valor das exportações de petróleo no segundo trimestre de 2025, reflexo da baixa nos preços internacionais da commodity, mesmo com o país aumentando sua produção sob o acordo da OPEP+. A informação foi divulgada pela Autoridade Geral de Estatísticas saudita.

A queda nas exportações de petróleo impactou diretamente o desempenho do comércio exterior saudita, com uma retração de 7,3% no total das exportações de mercadorias no período. A participação das vendas externas de petróleo no total exportado caiu de 74,7% no segundo trimestre de 2024 para 67,9% em 2025.

Apesar do recuo nas receitas com petróleo — principal fonte de arrecadação do país —, as exportações não petrolíferas cresceram 17,8% em relação ao mesmo período do ano anterior, evidenciando os esforços de diversificação econômica do Reino. Excluindo as reexportações, esse crescimento foi de 5,6%.

Crescimento econômico puxado por setores não ligados ao petróleo

Mesmo com o baque nas receitas do petróleo, a economia saudita cresceu 3,9% no segundo trimestre de 2025, na comparação anual. O principal motor desse crescimento foi o setor não petrolífero, que registrou avanço de 4,7% e contribuiu com 2,7 pontos percentuais para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) real.

Já o setor petrolífero teve crescimento de 3,8%, impulsionado pelo retorno gradual do aumento na produção de petróleo bruto. O resultado reflete a retomada das atividades do setor após cortes coordenados pela OPEP+ ao longo de 2024.

Segundo as estimativas rápidas da Autoridade Geral de Estatísticas, as atividades governamentais e os impostos líquidos sobre produtos também contribuíram positivamente, com 0,1 e 0,2 ponto percentual, respectivamente.

Déficit fiscal pressiona projetos estratégicos

Apesar do crescimento do PIB, a queda na receita proveniente das exportações de petróleo fez o déficit fiscal saudita superar as expectativas em 2025. Analistas indicam que o Reino precisará de preços próximos de US$ 90 por barril para equilibrar o orçamento. Com os preços abaixo desse patamar, o governo pode ser forçado a acelerar emissões de dívida e revisar o cronograma de investimentos em megaprojetos, como a cidade futurista Neom.

O dilema expõe a vulnerabilidade da Arábia Saudita à volatilidade dos preços globais de petróleo, mesmo com esforços de diversificação econômica.

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