
Lula e presidente do Panamá no Planalto.
Ricardo Stuckert/ Presidência da República
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (28) que o comércio internacional é “usado como instrumento de coerção”.
Lula não citou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mas a declaração faz referência ao tarifaço imposto pelo país ao Brasil e a outros países do mundo.
“Em um dos momentos mais críticos da história da região. Tentativas de restaurar antigas hegemonias colocam em choque a liberdade e autodeterminação dos nossos povos”, pontuou Lula.
“Ameaças de ingerências pressionam instituições democráticas e comprometem a construção de um continente integrado, desenvolvido e autônomo. O comércio internacional é utilizado como instrumento de coerção e chantagem”, prosseguiu o presidente.
O presidente ainda se posicionou o Canal do Panamá — alvo de disputa com os Estados Unidos.
“O Brasil apoia integralmente a soberania do Panamá sobre o canal conquistada após décadas de luta”, frisou Lula.
“Por isso decidimos nos somar ao tratado relativo à neutralidade permanente e ao funcionamento do Canal do Panamá já subscrito por mais de 40 países”, emendou.
O presidente brasileiro ainda mencionou que o combate ao crime organizado não pode servir de pretexto para o que chamou de “ameaças ilegais de uso de força em violação à carta das Nações Unidas”.
Lula diz que países ricos usam combate ao crime como ‘pretexto para violar soberania’
O líder panamenho é o terceiro presidente recebido por Lula neste mês — os anteriores foram Daniel Noboa (Equador) e Bola Tinubu (Nigéria).
As visitas ao Brasil foram acertas antes do anúncio do tarifaço, porém já em um contexto da guerra comercial adotada pelo presidente dos EUA, Donald Trump.
Os produtos brasileiros estão sobretaxados em 50% desde 6 de agosto. Diante da dificuldade para negociar com Trump, o governo intensificou as tratativas com outros países atrás de novos mercados.
Brasil x Panamá
Lula e Molino discutiram oportunidades de negócios em julho na Argentina, à margem da cúpula do Mercosul.
Na oportunidade, Molino disse que apresentaria oportunidades de investimentos em turismo e na área de infraestrutura portuária no Panamá.
O presidente do Panamá também demostrou interesse em adquirir aeronaves da Embraer.
COP 30
Lula também reforçado nas reuniões com presidentes os convites para COP 30, que será realizada em Belém em novembro. O Brasil tenta articular um mecanismo efetivo para que países mais ricos ajudem a financiar a preservação de florestas.
A pouco mais de dois meses da conferência, delegações estrangeiras se queixam dos valores cobrados para hospedagens em Belém. O governo brasileiro acredita que será possível resolver o problema e garantir uma boa representatividade na COP 30.
Em 2024, a corrente de comércio entre Brasil e Panamá foi de US$ 934,1 milhões, com superávit do Brasil. As exportações brasileiras têm sido, principalmente, de petróleo e produtos manufaturados.
– Esta reportagem está em atualização