Presos que dividem a mesma cela após matar gari e professora ganham cama em presídio de Caeté

A cela em que Renê Júnior, assassino confesso do gari Laudemir Fernandes, divide com Matteos França, suspeito de matar a própria mãe, a professora Soraya Tatiana, ganhou duas camas de alvenaria. De acordo com informações obtidas pelo BHAZ, a construção das estruturas no Presídio de Caeté, na região metropolitana de Belo Horizonte, teria sido feita de ontem para hoje (28/8) e custeada pelos dois presos. Ao BHAZ, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais (Sejusp) confirmou as obras, mas explicou que elas já estavam previstas e tiveram início há dois meses, portanto, antes dos crimes.

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De acordo com a Sejusp, a colocação de camas nas duas celas citadas está inserida nessas obras e não guarda nenhuma relação com a admissão de qualquer presidiário. “Vale ressaltar que as demais celas do presídio já possuíam estrutura com camas de alvenaria, o que é padrão nas unidades prisionais administradas pelo Depen-MG”, explica o órgão.

Fontes consultadas pelo BHAZ também disseram que o número de presos nas celas no presídio atualmente excede a capacidade e que não há cama suficiente para todos. Uma cela que comportaria oito pessoas, por exemplo, teria dez presos, que dividem o mesmo espaço. A Sejusp nega superlotação.

“Não procede tal informação. A capacidade do Presídio de Caeté é para 49 vagas. A lotação de unidades específicas não é divulgada, por razões de segurança”, diz comunicado.

Presos juntos

Renê da Silva Nogueira Junior, de 47 anos, suspeito de atirar e matar o gari Laudemir de Souza Fernandes, foi transferido em 13 de agosto para o Presídio de Caeté. Ele foi colocado na mesma cela de Matteos França Campos, de 32 anos, suspeito de matar a mãe, a professora Soraya Tatiana Bomfim, de 56. Fontes ouvidas pelo BHAZ explicaram que a decisão busca preservar a integridade dos presos.

Matteos foi preso no dia 27 de julho, mesma data em que foi celebrada a missa de sétimo dia da mãe. Ele foi preso na casa do pai, no bairro Jardim Alvorada, região Noroeste de Belo Horizonte, durante o cumprimento de um mandado de prisão.

A professora Soraya desapareceu na sexta-feira 18 de julho, no dia em que o crime ocorreu, segundo informações da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG). O corpo dela, no entanto, só foi encontrado dois dias depois, debaixo de um viaduto em Vespasiano, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Renê Junior foi preso no dia 11 de agosto, poucas horas após atirar no gari Laudemir de Souza. O crime aconteceu na rua Modestina de Souza, no bairro Vista Alegre, região Oeste da capital. Conforme testemunhas, um caminhão de lixo estava parado na rua, durante a coleta de resíduos, quando o gestor comercial exigiu para que fosse liberado espaço na via para passar com o veículo que dirigia, um BYD cinza.

Irritado, Renê ameaçou a motorista do caminhão com uma arma. Os garis tentaram intervir e pediram que ele se acalmasse. Foi nesse momento que ele saiu do veículo e disparou contra os funcionários, acertando Laudemir.

Renê Junior é marido da delegada Ana Paula Balbino, da Polícia Civil de Minas Gerais. A PCMG confirmou que a arma usada no homicídio está registra em nome da delegada Ana Paula Balbino, sendo de uso pessoal da policial. Renê alegou que pegou a pistola sem o consentimento da companheira e afirmou que ela não soube do crime. Mesmo assim, a servidora é alvo de uma investigação da Corregedoria-Geral da Polícia Civil.

O empresário Renê estava no Ceresp Gameleira, na região Oeste em BH, desde a madrugada do dia 12 de agosto, um dia após o crime. A transferência para Caeté ocorreu depois da audiência de custódia, no dia seguinte, quando a prisão foi convertida de flagrante para preventiva.

A defesa havia solicitado o relaxamento da prisão por não encontrar indícios que justificassem a preventiva, além de se firmar no argumento de que o suspeito seria réu primário, teria bons antecedentes e residência fixa.

No entanto, na audiência de custódia realizada na manhã desta quarta-feira (13), o juiz Leonardo Damasceno atendeu ao pedido do Ministério Público para a conversão do flagrante em preventiva.

Renê Junior foi autuado pelos art. 121, parágrafo 2º, incisos II e IV, do Código Penal Brasileiro, considerando motivo fútil e impossibilidade de defesa da vítima de homicídio, e pelo art. 147, por ter ameaçado a motorista do caminhão de coleta de lixo.

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