China avança sobre níquel no Brasil e EUA reagem com pressão diplomática

A recente negociação envolvendo a compra das minas de níquel da Anglo American no Brasil por uma mineradora chinesa gerou reação imediata das siderúrgicas dos Estados Unidos. O setor encaminhou uma carta ao representante comercial americano pedindo que o governo de Donald Trump pressione Brasília sobre os impactos da operação, vista como estratégica para o equilíbrio global de minerais críticos.

Por que o níquel é tão estratégico?

O níquel, além de ser essencial na fabricação do aço inoxidável, tornou-se peça-chave na produção de baterias de alta performance, indispensáveis para veículos elétricos e para o avanço da transição energética. Segundo especialistas, a soma das reservas brasileiras e indonésias — já dominadas em grande parte por empresas ligadas à China — representa quase metade do total mundial.

Brasil em posição estratégica

O Brasil possui a terceira maior reserva de níquel do planeta, atrás apenas da Indonésia e da Austrália. Para analistas, essa posição coloca o país no centro da disputa geopolítica, já que a China, com a compra, ampliaria seu controle para até 60% das reservas globais.

Professor Ronaldo Carmona, especialista em geopolítica da Escola Superior de Guerra, explica que a corrida por minerais críticos não é mais regida apenas por leis de mercado. “Esses recursos se tornaram ativos estratégicos para a economia global, influenciando transição energética, tecnologias emergentes e até disputas diplomáticas”, afirmou.

A visão americana e a ausência de investimentos

A crítica norte-americana levanta uma questão: se o níquel é tão vital, por que empresas dos EUA não investiram diretamente no Brasil? Especialistas apontam que Washington sempre tratou a América Latina com menos prioridade em comparação à China, que vem ampliando investimentos bilionários em infraestrutura, energia e mineração na região.

O que está em jogo para o Brasil

Mais do que atender às pressões externas, especialistas defendem que o Brasil precisa estabelecer políticas semelhantes às da Indonésia, que impôs restrições à exportação de níquel bruto e exigiu maior agregação de valor local, atraindo indústrias de beneficiamento. Para o professor Carmona, essa pode ser a chave para uma nova fase de industrialização brasileira: “Não podemos repetir o erro de exportar apenas commodities. O níquel pode alavancar cadeias produtivas nacionais e fortalecer nossa soberania”.

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