A Guiana, que desponta como uma das economias que mais crescem no mundo devido à exploração de petróleo offshore, realiza eleições parlamentares e presidenciais no próximo dia 1º de setembro. O atual presidente, Irfaan Ali, do Partido Progressista do Povo (PPP), tenta a reeleição em meio a um cenário de prosperidade econômica, porém também de crescente tensão política e social.
Crescimento acelerado e desafio de distribuir a riqueza
Desde 2020, quando Ali assumiu a presidência, a Guiana viu sua economia crescer a taxas de dois dígitos, impulsionada pelos megaprojetos petrolíferos no bloco offshore Stabroek, operado pela gigante americana ExxonMobil. A recente entrada em operação do campo Yellowtail elevou a capacidade de produção do país para 900 mil barris por dia — um salto expressivo para uma nação que, até poucos anos atrás, não produzia petróleo.
A ExxonMobil, junto de seus parceiros, já descobriu mais de 11 bilhões de barris de petróleo equivalente no bloco, cujo preço de equilíbrio é extremamente competitivo, em torno de US$ 30 por barril. Mesmo com o petróleo cotado a níveis mais baixos globalmente, Stabroek permanece extremamente lucrativo.
Oposição quer renegociar contrato com a ExxonMobil
Apesar do boom, a oposição alega que os benefícios da exploração petrolífera não estão sendo sentidos por toda a população. Três partidos oposicionistas prometem renegociar o contrato com a ExxonMobil, visando aumentar a participação da Guiana na receita. Atualmente, os opositores argumentam que a estrutura atual privilegia excessivamente as empresas estrangeiras, enquanto persistem problemas sociais e infraestruturais no país.
O presidente Ali e seu partido defendem a manutenção dos termos contratuais vigentes, argumentando que a estabilidade jurídica é crucial para garantir novos investimentos e continuidade do crescimento econômico. A Exxon, por sua vez, já declarou publicamente que não pretende reabrir negociações.
Eleição marcada pela incerteza e possibilidade de coalizão
Em 2020, o PPP conquistou uma maioria apertada de 33 das 65 cadeiras do Parlamento. As pesquisas apontam que o partido tem chances de manter a maioria, mas analistas não descartam a necessidade de uma coalizão, o que poderia limitar o poder de governabilidade de Irfaan Ali em um eventual segundo mandato.
Essa eleição será decisiva não apenas para os rumos políticos da Guiana, mas também para a condução da política energética e da distribuição dos recursos provenientes do petróleo. A depender do resultado, o país pode manter sua rota atual de estabilidade contratual com grandes petroleiras ou iniciar uma reconfiguração nas relações com os investidores internacionais.
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