Conscientização é o 1º passo para iniciativas sustentáveis

Segundo o último Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2024 (Abrelpe), cada brasileiro gerou em média 1,047 kg de lixo por dia em 2023, totalizando aproximadamente 81 milhões de toneladas de resíduos sólidos ao longo do ano. Desse total, 93,4% foram coletados, mas apenas 8,3% destinados à reciclagem. Nos grandes centros, onde os condomínios respondem por uma parcela significativa desse volume (não existem dados exatos sobre aparticipaçãodos empreendimentos), a gestão inteligente de resíduos se torna essencial, reunindo estratégias que transformam o condomínio em um espaço de conscientização e inovação sustentável.Gestão inteligente de resíduos envolve normas e diretrizes ambientais estratégicas que intensificam e facilitam o descarte e a separação dos materiais. Para garantir eficácia, todas as etapas devem ser planejadas, da coleta à destinação final. Entre as ações mais comuns estão a separação das lixeiras por tipo de material (papel, vidro, plástico emetal) e a compostagem de resíduos orgânicos, mas para ser ainda mais eficiente,  a gestão precisa incorporar hábitos sustentáveis como parte da cultura do condomínio.Gestão inteligente“A gestão inteligente de resíduos vai além da simples separação do lixo, cria um ciclo de responsabilidade compartilhada entre administração, condôminos e prestadores de serviço e quando bem implementada, reduz custos, preserva recursos naturais e contribui para a saúde ambiental da comunidade”, afirma Alan Galvão, gerente de condomínios da APSA. Ele explica formas de colocar asações em prática:“Além da coleta seletiva, os condomínios, com nosso suporte, adotam materiais ecológicos em reformas, reusode água, economia em unidades e áreas comuns, acesso à energia limpa, pontos de recarga para veículos elétricos e bicicletários, hortas comunitárias, fortalecendo a integração entre moradores e práticas sustentáveis. Todas essas ações fazem parte do nosso ecossistema, alinhadas à missão de oferecer soluções para que as pessoas vivam bem, com qualidade de vida, bem-estar e valorização dos condôminos”.No Condomínio Star Life 028, a gestão também vai além da coleta, criando um ciclo de responsabilidade entre administração, moradores e cooperativa de coleta, afirma o síndico Pedro Anselmo Andrade Menezes. “O condomínio foi pioneiro ao remunerar a Cooperativa Bariri pelo recolhimento de plásticos, vidros e latas, incentivando o engajamento e fortalecendo a cultura da reciclagem”.O síndico destaca que faz parte da gestão o esforço em conscientizar condôminos e funcionários sobre o uso responsável de recursos:“Estamos realizando campanhas contra o uso de copos plásticos nas áreas comuns, negociando a coleta de óleo de cozinha e cápsulas de café, e estudando a implementação de energia solar”, conta.Paula Sansão, moradora do condomínio, foi uma das responsáveis por levar a pauta da sustentabilidade para dentro do prédio após participar do projeto “Folia que Vira”, de coleta de recicláveis durante o Carnaval de Salvador. Ela conta: “A experiênciamemostroua verdadeira mudança social que a reciclagem proporciona: sustento de inúmeras pessoas e famílias que vivem desse trabalho de grande impacto ambiental”, e motivada pela experiência anterior, Paula ajudou a implementar a coleta seletiva no condomínio.Paula acrescenta que ações simples, como comunicação constante sobre a coleta e atualização de novos moradores, tornam o processo mais eficiente e demonstram que pequenas mudanças podem gerar grande impacto ambiental e social. “Outra medida imprescindível é orientar sobre a higienização e o descarte correto dos resíduos, umaetapaquedevesercompreendida e seguida por todos. Além disso, a comunicação por meio de quadros de avisos, gruposeoutros canais garante que novos moradores e funcionários sejam sempre atualizados e se adequem à coleta seletiva”, explica.Coleta progressivaMarco Ribeiro, síndico profissional e CEO da Ribeiro Síndicos Profissionais, implementa uma coleta seletiva progressiva inspirada em modelos europeus, pensada para facilitar a adaptação dos moradores: “Começamos comduas lixeiras, orgânicos e demais resíduos, e avançamos para cinco, incluindo plástico, papel, metal, vidro e orgânicos”, explica.A estratégia é acompanhada de campanhas de conscientização via WhatsApp, e-mails, materiais de comunicação e com parcerias com cooperativas de reciclagem que garantem a destinação correta do material diante das limitações do serviço público. Marco também destaca outras iniciativas sustentáveis, como projetos de energia solar, uso racional da água, compostagem de resíduos orgânicos e paisagismo com espécies nativas.Um dos condomínios administrados por Marco é o Alto das Bromélias, localizado dentro da reserva de Imbassaí, a sustentabilidade é prática e inovadora, segundo Leandro Jatobá, proprietário de um dos imóveis e ex-subsíndico: “O que mais me motiva é ver a mudança acontecendo na prática, o síndico junto com sua equipe não apenas falam sobre sustentabilidade, mas apresentam um projeto sólido e inovador”. Leandro ressalta que, “o condomínio passa a ser visto como mais moderno, organizado e com moradores engajados, o que melhora a imagem do empreendimento e contribui para a valorização dos nossos imóveis”.A educação contínua dos moradores e a correta separação dos resíduos tornam o condomínio um exemplo de conscientização coletiva, mais do que isso, implementar essas práticas no dia a dia faz toda a diferença: “É fundamental a preocupação com o futuro do meio ambiente, a cultura ESG (governança ambiental, social e corporativa) pode ser muito bem adaptada dentro de casa ou emumcondomínio. Se cuidarmos bem do social, incentivando e remunerando multiplicadores ambientais por meio de soluções limpas e sustentáveis, impactamos diretamente a administração do condomínio, refletindo em menores custos e na consequente valorização do patrimônio”, afirma Pedro Anselmo.*SOB SUPERVISÃO DA EDITORA CASSANDRA BARTELÓ
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