OPEP pode redobrar cortes de produção após fracasso inicial

O acordo de seis meses da OPEP para sustentar os preços do petróleo, iniciado em 2016, não trouxe os resultados esperados. A estratégia de limitar a oferta fracassou em conter o impacto do aumento da produção de xisto dos Estados Unidos, que manteve os preços pressionados.

No entanto, o cenário começa a mudar. Nesta semana, os contratos futuros de petróleo registraram recuperação de 5%, revertendo cinco semanas consecutivas de queda. O Brent fechou a US$ 47,80 na sexta-feira, 30 de junho de 2017, enquanto o WTI foi negociado a US$ 45,25, ambos com altas superiores a 5% na semana.

Queda na produção dos EUA: sinal de mudança

Segundo a Administração de Informação de Energia dos EUA (EIA), a produção norte-americana caiu 100 mil barris por dia, a maior retração desde julho de 2016. Esse movimento pode indicar que o ritmo de crescimento do xisto está perdendo fôlego, reacendendo a esperança da OPEP de que um novo corte na produção teria efeito mais duradouro.

O Goldman Sachs reforça essa visão, afirmando que gargalos na conclusão de poços, orçamentos ajustados a um petróleo de US$ 50-55 e restrições de crédito podem limitar a expansão do setor de xisto.

Três fatores que enfraquecem o xisto

  1. Custos de produção estabilizados – Após forte redução entre 2014 e 2016, os custos do xisto se fixaram em torno de US$ 50/barril, deixando produtores vulneráveis com o preço atual abaixo desse patamar.

  2. Dependência de dívidas mais caras – Cerca de 25% da produção depende de financiamentos de alto rendimento. O aumento do índice “yield-to-worst” de 6,6% para 8% encarece o crédito, reduzindo a margem de expansão.

  3. Redução de hedge – Com o petróleo abaixo de US$ 45, o nível de proteção dos produtores caiu drasticamente. Enquanto 35% da produção de 2017 estava protegida, a maior parte da produção de 2018 segue exposta, o que desestimula novos investimentos.

Apesar da recuperação, analistas ainda projetam cautela. O Société Générale reduziu sua previsão para o terceiro trimestre de US$ 55 para US$ 47,50 o barril, enquanto o Goldman Sachs estima US$ 45.

A OPEP, que já falhou em sua primeira tentativa, pode considerar um corte mais profundo para reconquistar influência sobre o mercado. O momento parece mais favorável, já que o xisto enfrenta limitações estruturais e financeiras.

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