Polícia investiga morte de idoso que estava em clínica de reabilitação e chegou à UPA desnutrido e desidratado


PM foi acionada pela equipe médica
G1
A Polícia Civil investiga a morte de um idoso, de 74 anos, após dar entrada em estado grave na Unidade de Pronto Atendimento (UPA), em Montes Claros.
Um boletim de ocorrência foi registrado pela PM depois que a equipe médica suspeitou de negligência nos cuidados com o paciente. Consta no documento que o idoso estava desnutrido e desidratado, e com comprometimento hepático em razão de “negligência ocorrida por diversos dias”. Ele morreu após passar cerca de oito horas na sala de estabilização
Segundo a Polícia Militar, o idoso chegou à UPA acompanhado de uma mulher que, inicialmente, se apresentou como sua sobrinha. Aos policiais, a suspeita afirmou que a família havia encaminhado o idoso para uma clínica de reabilitação, mas, como ele não teria aceitado permanecer internado, ela passou a cuidar dele em sua residência.
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Posteriormente, a mulher mudou a versão e disse que o idoso estava internado na clínica, onde ela teria sido contratada para cuidar dele e desempenhar outras funções. Questionada sobre a contradição, afirmou que havia mentido por ter sido coagida pelo dono do estabelecimento.
Os policiais se deslocaram até a clínica e foram atendidos por um homem que se apresentou como responsável pelo local naquele momento. Inicialmente, ele afirmou que o idoso nunca esteve internado no estabelecimento, mas, ao ser confrontado com a versão dada pela mulher, mudou o relato e disse que a vítima teria sido admitida e transferida para outra unidade dois dias depois.
Internos ouvidos pela PM contaram que o idoso ficou cerca de uma semana no local e foi encaminhado para outra clínica da mesma rede.
Ainda de acordo com a polícia, eles também relataram situações de maus-tratos, condições precárias do local e disseram que até medicamentos veterinários eram usados para sedar pacientes.
O dono da clínica não foi localizado pelos policiais e a mulher foi presa e levada à delegacia. Em nota, a Polícia Civil informou que o flagrante foi feito com base no Estatuto do Idoso (Lei 10.741/03), artigo 99, que trata de situações em que a integridade e a saúde de pessoas idosas são colocadas em risco. A lei prevê pena de reclusão de 1 a 4 anos, além de multa.
Ainda conforme a legislação, quando a negligência ou os maus-tratos resultam em morte da vítima, a sanção pode chegar a 4 a 12 anos de prisão, além de multa.
Uma equipe da Inter TV foi até a sede da clínica, na manhã desta sexta-feira (29), e nenhum responsável foi encontrado para falar sobre o assunto. A produção também tentou contato com advogado da mulher, mas as ligações não foram atendidas.
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