O empresário Renê Júnior, indiciado pelo homicídio de Laudemir Fernandes, de 44 anos, realizou pesquisas na internet sobre as consequências do crime poucas horas após cometê-lo, conforme investigações da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) divulgadas nesta sexta-feira (29). Ele pode cumprir 35 anos de prisão pelo crime de homicídio duplamente qualificado.
De acordo com o delegado Evandro Radaelli, a perícia da PCMG concluiu que, após a prática do crime, depois que saiu da empresa em que trabalhava, Renê Júnior realizou diversas pesquisas na internet utilizando o celular. Conforme o delegado, ele pesquisou sobre as consequências do crime que ele havia praticado.
Por isso, a PCMG desqualificou as declarações dadas pelo empresário de que ele não sabia que havia praticado um crime de homicídio, embora tenha confessado disparar a arma de fogo. “Conseguimos apurar que ele teve sim ciência do que ele praticou”, esclareceu Evandro Radaelli. “Ele fez pesquisa com palavras como ‘gari’ e pesquisou, inclusive, o nome da rua em que ele estava”, completou.
A análise do celular do empresário também revelou que, após o crime, ele ligou e trocou mensagens com a esposa dele, a delegada Ana Paula Lamego Balbino. No entanto, a perícia não teve acesso ao teor das conversas e, por isso, não é possível afirmar que ela teria ciência do crime cometido por Renê Júnior.
Além disso, a perícia da PCMG destacou que Renê Júnior tinha “fascínio pelo poder” que o armamento concedia. “Ele se embriagava com aquele poder das armas e ele fazia o uso das armas com frequência”, explicou Evandro Radaelli. Conforme o delegado, Renê Júnior “julgou que o trajeto e que a pressa que ele tinha era mais importante do que o trabalho que os garis realizavam na coleta de resíduos”, concluiu.
Indiciamento
A PCMG indiciou, nesta sexta-feira (29), o empresário Renê Junior pelo homicídio do gari Laudemir Fernandes, de 44 anos, morto com um tiro no abdômen em 11 de agosto. Ele deve cumprir 35 anos de prisão pelo crime de homicídio duplamente qualificado por motivo fútil e por meios que impossibilitaram a defesa da vítima, além de ameaça e porte ilegal de arma de fogo.
A delegada Ana Paula Lamego Balbino, casada com Renê Júnior, também foi indiciada por porte ilegal de arma de fogo de uso permitido, uma vez que a lei proíbe ceder ou emprestar esse tipo de equipamento. De acordo com o delegado Evandro Radaelli, a delegada passou a ser investigada a partir do momento em que a PCMG identificou que ela tinha ciência de que ele fazia uso da arma de fogo de sua propriedade.
O crime
Conforme a ocorrência policial, o crime aconteceu na rua Modestina de Souza, no bairro Vista Alegre, região Oeste da capital, na manhã do dia 11 de agosto deste ano. Segundo testemunhas, um caminhão de lixo estava parado na rua, durante a coleta de resíduos, quando o gestor comercial Renê Junior exigiu para que fosse liberado espaço na via para passar com o veículo que dirigia, um BYD cinza.
Irritado, ele ameaçou a motorista do caminhão com uma arma. Os garis tentaram intervir e pediram que ele se acalmasse. Foi nesse momento que ele saiu do veículo e disparou contra os funcionários, acertando Laudemir, que não estava envolvido na confusão. “E aí ele entrou do carro e foi embora. Não prestou socorro, nem olhou para trás, ele seguiu o caminho dele”, relatou ao BHAZ a motorista do caminhão, Eledias Aparecida.
Renê Junior é marido da delegada Ana Paula Balbino, da Polícia Civil de Minas Gerais. A PCMG confirmou que a arma usada no homicídio está registrada em nome da delegada Ana Paula Balbino, sendo de uso pessoal da policial. Renê alegou que pegou a pistola sem o consentimento da companheira e afirmou que ela não soube do crime. Mesmo assim, a servidora é alvo de uma investigação da Corregedoria-Geral da Polícia Civil.
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