Ana Marcela no Mundial de Esportes Aquáticos
| Foto: Satiro Sodré / CBDA / Divulgação
Como está o coração em voltar a nadar na sua terra natal? Treinar e viver na Itália tem deixado você mais saudosa?Eu sempre fico muito feliz de poder voltar a Salvador, de estar com minha família e meus avós. Essa energia e essa conexão com a nossa casa, com o nosso mar e com Iemanjá, representam muita coisa para mim e para minhas crenças. Sobre a saudade, isso já acontece há muitos anos. Desde 2007, quando saí de Salvador para morar em Santos, essa saudade sempre existiu.Aos 33 anos, como tem sido lidar com a pressão por rendimento e os insistentes rumores de aposentadoria?Eu sou uma atleta e também uma pessoa muito tranquila em relação ao que as pessoas pensam ou falam sobre mim. Eu mesma me cobro, como atleta de alto rendimento, muito mais do que qualquer outra pessoa. A parte chata são justamente os rumores de aposentadoria. Em todas as entrevistas, nunca falei de parar. Enquanto eu estiver feliz e bem, vou continuar nadando, independentemente de resultados.Você foi uma das primeiras vozes entre atletas de elite no Brasil a falar sobre a importância da saúde mental. Como vê esse cenário hoje?A saúde mental é um ponto fundamental, pouco falado antigamente por preconceito. Ela está relacionada a tudo. Eu tenho acompanhamento com psicóloga há mais de 12 anos. É tão importante quanto a musculação e o treinamento na água. Enquanto eu estiver feliz e fazendo o que sempre gostei, vou continuar. Isso, para mim, é o maior valor.Apesar da rotina de treinos e competições, você tem conseguido curtir a vida fora das águas?Hoje, além de atleta, eu me vejo também como ser humano. Construí uma família, sou casada, tenho uma estrutura familiar muito boa. Casei com a Juliana, minha preparadora física, e a gente compartilha tudo. Ela me apoia diariamente, assim como meus pais, meus avós e toda minha família. Tem também o lado LGBT, de erguer e defender essa bandeira, que é muito importante para mim, assim como falar de saúde mental. Tudo isso me fortalece e me ajuda a ter melhores resultados na água.Por fim, qual sua expectativa para os próximos desafios na natação e na vida?Minhas expectativas são sempre as melhores. É óbvio que a gente entra na água para buscar resultados, mas hoje acredito que o ser humano que me tornei tem mais significado do que as conquistas. A Mar Grande–Salvador é emblemática, tem a torcida, a festa, o calor dos baianos. Será um prazer enorme estar de volta.