Em uma nova investida para fortalecer a indústria nacional, o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou uma ordem executiva que visa reduzir as barreiras regulatórias à instalação de fábricas farmacêuticas no país. A medida determina que a FDA (Food and Drug Administration), órgão regulador americano semelhante à Anvisa no Brasil, agilize o processo de aprovação para novas instalações e aumente o controle sobre produtos importados.
Segundo Trump, o objetivo é claro: tornar os EUA menos dependentes da produção externa de medicamentos, retomando o protagonismo industrial — um dos pilares de sua política econômica desde o primeiro mandato. Ele destacou que, em contextos de guerra ou pandemias, depender de cadeias globais fragiliza a segurança nacional.
FDA deve acelerar aprovações e ampliar fiscalização
De acordo com a nova ordem, a FDA deverá diminuir o tempo exigido para aprovar fábricas que produzam medicamentos dentro do território americano. A medida facilita o caminho para a reindustrialização do setor, frequentemente travado por exigências regulatórias consideradas excessivas por empresários e investidores.
Além disso, Trump determinou que o órgão especifique com mais detalhes a origem dos produtos importados e aumente a fiscalização sobre medicamentos fabricados fora dos EUA. A expectativa é de que a maior transparência e controle reforcem a competitividade das empresas nacionais frente à concorrência estrangeira.
Independência produtiva ganha destaque em cenário global instável
Trump usou uma analogia militar para justificar a iniciativa: “Vamos imaginar que estamos em guerra. Não podemos depender da produção internacional”. A pandemia da Covid-19 e a guerra na Ucrânia escancararam a fragilidade das cadeias de suprimentos globais, como lembrou o ex-presidente. Na ocasião, itens essenciais como seringas, respiradores e medicamentos ficaram escassos devido à concentração da produção em poucos países.
A nova política reforça um movimento de independência produtiva que também afeta outros setores, como o automotivo e o de semicondutores, duramente impactados pela escassez global nos últimos anos.
Nova estratégia comercial segue sem acordos fechados
Apesar da retórica firme e das ordens executivas, o governo americano ainda não concretizou nenhum novo acordo comercial relevante. O secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, afirmou que o país mantém conversas com 17 nações — incluindo a China —, mas reconheceu a falta de avanços práticos.
Segundo Lutnick, o processo de negociação tem sido acelerado, com expectativa de fechar acordos em até 90 dias, em comparação com os tradicionais dois anos. No entanto, ele admite que os efeitos das tarifas ainda em vigor sobre produtos chineses estão impactando negativamente o mercado interno, fazendo empresas adiarem investimentos e contratações.
Próximos passos: foco em preços de medicamentos e incentivo à produção nacional
Trump adiantou que novas medidas estão sendo preparadas para lidar com os preços dos medicamentos importados. A transparência sobre a origem dos insumos deve abrir espaço para políticas de incentivo aos produtos fabricados nos EUA, inclusive com programas temporários de subsídios, semelhantes aos adotados em situações de calamidade, como furacões.
O movimento integra a estratégia de Trump para reforçar sua imagem como defensor da indústria americana, especialmente em um ano eleitoral marcado por disputas acirradas e alta tensão geopolítica.
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