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Vetor de desenvolvimento, a construção da BR 116, entre as décadas de 1930 e 1940, deu outro ritmo ao município, que passou por um processo de estruturação urbana acentuado entre as décadas de 1950 e 1960, quando foi construída a BR 101 e a BR 324. Neste período, teve a mudança dos currais, que até então estavam próximos do centro, e a construção do Polo Industrial Subaé.Aldo Morais destacou que em 1937 a cidade teve a primeira festa de carnaval fora de época. Depois disso, por cerca de quatro anos o município realizou o carnaval e a micareta.Ele ressaltou que o festejo fora de época foi consequência da entrada em operação da primeira Ferrovia Salvador/Feira, em 1936, “quando a elite em peso foi para a capital curtir a festa, esvaziando o carnaval feirense, que não tinha como competir com Salvador”.Por fim, venceu a micareta, que atualmente atrai milhares de visitantes e aquece o comércio em geral, como um dos pontos altos da economia. De acordo com Morais, no início “se investiu na festa como elemento de identificação (dos feirenses) com o lugar, como detentor do carnaval fora de época”.Entre os eventos religiosos da cidade, o destaque é a festa de Nossa Senhora Sant’Ana, iniciada no princípio do século XIX. Por volta de 1860 surgiu o Bando Anunciador, formado por cavaleiros da elite. A manifestação, embora profana, precedia os festejos da padroeira. “No início do século XX também as mulheres passaram a integrar o grupo”, afirmou o historiador, citando que mais tarde aconteceu a popularização, com introdução das manifestações de matriz africana, dando início à lavagem, que contava com fogueiras acesas em frente da igreja. O evento cresceu muito como festa de largo a partir de 1960.Sob protestos de diversos segmentos, “em 1987 foi encerrada pela Igreja, em processo não democrático”, pontuou Morais, ressaltando que em 2007 o Centro Universitário Cultura e Arte (Cuca/Uefs) elaborou projeto para retomada do Bando Anunciador, que na última edição, reuniu aproximadamente 40 mil pessoas.MEMÓRIANo esforço de preservar a história feirense, a Fundação Senhor dos Passos vem trabalhando em diversas frentes, que vão desde a recuperação e conservação do acervo arquitetônico, como o Casarão Fróes da Motta, até a exposição de fotos antigas, como a organizada pelo fotógrafo Ângelo Pinto, Feira de Santana: Uma Viagem ao Passado.Nesta trajetória, afirma o membro da Fundação, Carlos Brito, “achamos uma tese de doutorado (para a Universidade de Stanford /Califórnia EUA), de Rollie E. Poppino, que no seu trabalho de conclusão do curso deixou um registro robusto da nossa história”. Para produzir ‘Princess of the Sertão: A history of Feira de Santana’, Poppino esteve na cidade entre 1951 e 1953.Criado pela Fundação, o Núcleo de Preservação da Memória Feirense Rollie E. Poppino faz uma homenagem ao historiador através do nome. “Estamos com mais de 30 livros publicados para preservar a história”, pontuou Brito, ressaltando que são republicações e novas produções com foco na memória local.Outro trabalho em andamento na Fundação é a criação do Museu do Áudio Visual, que já conta com mais de 170 filmes, gravados na cidade desde 1921. “Trabalhamos agora no projeto de resgate de documentos históricos que estão fora de Feira de Santana, para integrar o acervo local”, revelou Brito, asseverando que todo material é disponibilizado para a sociedade.FILHOS ILUSTRESNa trama das trilhas e das estradas que se cruzam modelando a história de Feira de Santana, muitos nomes se destacam com suas trajetórias para além dos limites municipais.Um dos nomes mais lembrados é a militar Maria Quitéria de Jesus, nascida em julho de 1792 na fazenda Serra da Agulha, na então freguesia São José, pertencente a Cachoeira (hoje distrito de Maria Quitéria/Feira de Santana).Filha de fazendeiro português, gostava de caçar em detrimento das lidas domésticas, o que foi útil quando decidiu defender o Brasil contra o domínio português em 1822, considerando que mesmo depois de proclamada a independência, tropas fiéis a Lisboa permaneceram atuantes na Bahia.Ela, que se travestiu de homem para ser admitida no Regimento de Artilharia criado no estado para lutar contra as tropas lusitanas, se destacou entre seus pares. Por isso, mesmo depois de descoberta sua identidade, continuou atuando e foi transferida para o batalhão Voluntários do Príncipe Dom Pedro.Participou da linha de frente de diversas batalhas, até a expulsão dos últimos resistentes lusitanos. Foi recebida como heroína no Rio de Janeiro em agosto de 1823, e condecorada com a Medalha da Ordem Imperial do Cruzeiro do Sul. Morreu em 1853, e seu corpo foi sepultado na Igreja Matriz do Santíssimo Sacramento, no bairro de Nazaré, em Salvador.Em um salto do século XIX para o XXI, o líder espiritual Divaldo Franco também é feirense, e faleceu aos 98 anos em maio deste ano. Consagrado médium e divulgador da Doutrina Espírita, somou mais de 20 mil conferências e seminários em mais de 70 países, em todos continentes.Parte do seu legado ficou no complexo Mansão do Caminho, que fundou em 1952 em parceria com seu fiel amigo Nilson de Souza Pereira no bairro de Pau da Lima, Salvador. O local presta trabalho de assistência social a pessoas carentes com atuação também nas áreas de saúde e educação.Com mais de 260 livros publicados, o feirense vendeu mais de 10 milhões de exemplares. No conjunto da sua obra, apresentou mais de 200 autores espirituais, dos mais diversos gêneros textuais, traduzidos para 17 idiomas.