
Totalmente atípico, diz delegado da PF sobre maioria dos alvos de operação contra PCC não ter sido
O resultado das prisões na Operação Carbono Oculto, deflagrada nesta quinta-feira (28), foi classificado por um delegado federal como “totalmente atípico”. Dos 14 alvos com mandado de prisão preventiva, apenas seis foram encontrados e detidos, enquanto a maioria, incluindo alguns dos principais investigados, escapou.
A baixa efetividade das prisões causou grande incômodo entre os policiais à frente do caso, que agora buscam entender as razões para o ocorrido.
A frustração entre os investigadores se dá porque, em operações desse porte, o esperado é um alto índice de sucesso no cumprimento dos mandados de prisão.
“É totalmente atípico em nossas operações acontecer isso. Prender menos do que se deveria. Geralmente, escapa um ou outro. E não a maioria como agora. Temos que investigar o porquê disso”, disse um dos delegados.
Apesar do revés nas prisões, os comandantes da operação destacam que houve um farto volume de material apreendido durante as buscas e que as apreensões devem aprofundar as investigações sobre lavagem de dinheiro do narcotráfico e da corrupção.
Eles garantem que a caçada aos foragidos continua, e que agora se tornou uma questão de honra cumprir todos estes mandados de prisão.
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Arte/g1
Operação Carbono Oculto
A operação, batizada de Carbono Oculto, envolveu cerca de 1.400 agentes das polícias estaduais e federal e ocorreu em oito estados simultaneamente: São Paulo, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraná, Rio de Janeiro e Santa Catarina. Mais de 350 pessoas e empresas foram alvos de mandados de prisão e busca e apreensão.
Segundo as investigações, o grupo sonegou mais de R$ 7,6 bilhões em impostos e envolveu irregularidades na produção e distribuição de combustíveis em todo o país. O esquema incluía adulteração de combustíveis vendidos em ao menos 300 postos no estado de São Paulo, mas o setor acredita que 30% de todos os postos no estado tenham sido atingidos pelo esquema.
Outro braço do esquema envolvia o controle pelo PCC de 40 fundos de investimento, com patrimônios somados superiores a R$ 30 bilhões.