O mercado internacional de petróleo volta a registrar queda expressiva nesta quarta-feira (28), diante de uma combinação de fatores que aponta para um superávit na oferta e uma desaceleração na demanda global. Analistas da Goldman Sachs projetam que o barril do petróleo tipo Brent pode chegar a US$ 50 até o fim de 2025, uma estimativa que surpreendeu parte dos investidores.
Goldman Sachs aponta cenário pessimista
A projeção da Goldman Sachs baseia-se em dados atualizados do balanço global de petróleo. O banco vê um cenário de superávit acentuado nos últimos meses do ano, intensificado por uma menor atividade de consumo de derivados no último trimestre. Historicamente, esse período é marcado por menor demanda, após o pico de uso nos trimestres anteriores, especialmente no hemisfério norte.
Segundo a analista Isabela Garcia, a oferta vem crescendo de forma acelerada, agora puxada principalmente pela OPEP, que se soma a produtores como Estados Unidos e Brasil. “Há uma expansão expressiva na produção, enquanto a demanda desacelera. Isso pressiona diretamente os preços para baixo”, destaca.
Estoques nos EUA caem, mas impacto é limitado
Apesar da tendência de queda no médio prazo, o mercado registrou pequenas altas pontuais nos últimos dias, influenciado por dados de estoques nos Estados Unidos. O país relatou consecutivas quedas nos estoques de petróleo, impulsionadas por uma forte atividade de refino, especialmente voltada ao consumo sazonal de gasolina e ao aumento das exportações de diesel.
Contudo, esses efeitos são considerados de curto prazo e não alteram a tendência geral de enfraquecimento da demanda. “No médio a longo prazo, o que realmente pesa é a perspectiva de desaceleração econômica global e de políticas comerciais mais agressivas, como as tarifas impostas pelos EUA”, analisa Garcia.
Tarifas dos EUA afetam Índia e ampliam incertezas
Outro fator de preocupação para o mercado são as novas tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos, que agora se estendem à Índia, após já afetarem fortemente a China. Essas medidas podem impactar a atividade econômica global e, consequentemente, a demanda por petróleo e derivados.
“Ainda que os efeitos dessas tarifas sejam sentidos de forma indireta e em médio prazo, o mercado já começa a precificar a possibilidade de retração na atividade industrial e menor consumo energético”, explica a especialista.
Oferta robusta: OPEP amplia produção
Enquanto a demanda se mostra estagnada, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) segue aumentando sua produção. A expectativa é de que, até o fim do ano, sejam adicionados milhões de barris por dia ao mercado, intensificando ainda mais o desequilíbrio entre oferta e demanda.
Esse aumento de oferta, somado à perspectiva de enfraquecimento econômico e ao fim do ciclo sazonal de alta no consumo nos EUA, tende a manter a pressão sobre os preços internacionais do petróleo nos próximos meses.
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