Avenida Afonso Pena, uma majestosa via arquitetônica de BH! 

Em 1895, o engenheiro Aarão Reis, chefe da Comissão Construtora da Nova Capital, apresentou a planta com o traçado urbano da cidade, na qual a Avenida Afonso Pena foi planejada para ser a principal via, sendo a mais larga e extensa. O nome dessa avenida, que já constava no projeto urbanístico desde o início, foi uma homenagem ao então presidente (governador) de Minas Gerais, Afonso Pena, que assinou o decreto para a mudança da capital em 1893.

Planta Geral da Cidade de Minas (Belo Horizonte), elaborada em 1895, na qual a Avenida Afonso Pena foi projetada como a mais larga e extensa. (Crédito: Museu Histórico Abílio Barreto).

O eixo da Avenida Afonso Pena foi planejado seguindo a orientação norte-sul, unindo duas instâncias da cidade carregadas de simbolismo: a vida cotidiana representada pelo antigo Mercado Municipal (atual Praça da Rodoviária) e o mundo sagrado representado pela antiga Praça do Cruzeiro (atual Praça Milton Campos), onde seria construída a Igreja Matriz. Além disso, essa orientação direciona nosso olhar para a Serra do Curral, ao sul – o grande marco geográfico da região desde os tempos do Arraial do Curral del Rei.

A Avenida Afonso Pena nos anos 1930. Sua orientação para o sul (fundo da imagem) direciona o olhar para a Serra do Curral. (Crédito: cartão-postal / reprodução).

Inicialmente deserta, aos poucos a avenida foi ganhando corpo com expressivas obras que se tornaram cartões-postais e marcos urbanos da capital mineira, enriquecendo a paisagem da região central de Belo Horizonte, hoje detentora do maior patrimônio cultural edificado da cidade. Nesse contexto, a Avenida Afonso Pena firmou-se como nosso grande eixo simbólico, adornada por magníficos edifícios que representam os diferentes períodos de construção da capital.

Para oferecer um breve panorama da memória construtiva da Avenida Afonso Pena, esta coluna selecionou cinco magníficos cartões-postais antigos com obras nos estilos eclético, Art Déco, protomoderno e moderno – que há décadas embelezam a paisagem urbana dessa majestosa via arquitetônica. Confiram!

Cinco postais da Avenida Afonso Pena que contam sua história arquitetônica

1. Antigo Palácio da Justiça
O Antigo Palácio da Justiça (atual Museu da Memória do Judiciário Mineiro), edifício em estilo eclético inaugurado em 1912. Av. Afonso Pena, n. 1420. (Crédito: cartão-postal / reprodução).

A arquitetura de fundação da capital mineira, desenhada por seus arquitetos pioneiros, é filiada ao ecletismo, estilo historicista disseminado pela École des Beaux-Arts de Paris. Desse período, um dos mais emblemáticos edifícios fica na Avenida Afonso Pena. Trata-se do Palácio da Justiça (1912), projeto influenciado pelo Classicismo e que foi elaborado pelo arquiteto italiano Raphael Rebecchi. Suas fachadas chamam a atenção por sua rica ornamentação com elementos inspirados na arquitetura greco-romana.

2. Condomínio Álvaro José dos Santos
Condomínio Álvaro José dos Santos (1908), o famoso Castelinho, na esquina da Avenida Afonso Pena com a Rua Espírito Santo. (Crédito: Acervo da Biblioteca Nacional).

Houve um tempo em que as torres encimadas pelas cúpulas dos edifícios mais suntuosos da capital mineira se impunham na paisagem urbana. O requintado Condomínio Álvaro José dos Santos (1908), mais conhecido como Castelinho – projeto do arquiteto português Antônio da Costa Christino – faz parte dessa geração de obras altivas. Ainda hoje, essa admirável construção se sobressai na esquina da Avenida Afonso Pena com a Rua Espírito Santo graças à sua arquitetura Eclética – imponente e, ao mesmo tempo, encantadora.

3. Edifício Acaiaca
Edifício Acaiaca, no centro da imagem, ícone Art Déco inaugurado em 1949, situado na Avenida Afonso Pena n. 867. (Crédito: cartão-postal / reprodução).

O Edifício Acaiaca, uma torre com extraordinária solução decorativa de efígies indígenas esculpidas na fachada, tornou-se, em 1949, um imponente referencial Art Déco de Belo Horizonte e uma das mais altas construções do Brasil naquela época. Essa grandiosa obra – uma marca da nossa cultura metropolitana, assentada em 25 andares – foi projetada em 1946 pelo arquiteto mineiro Luiz Pinto Coelho. A relevância arquitetônica e simbólica desse edifício para a capital mineira pode ser aferida por alguns de seus ilustres ex-ocupantes: a TV Itacolomy, o Cine Acaiaca, a Faculdade de Filosofia, o Sindicato das Indústrias de Fiação e Tecelagem, a Coteminas, a Fundação Mendes Pimentel, o IBGE, entre outros.

4. Sede dos Correios e Telégrafos
Sede dos Correios e Telégrafos de Belo Horizonte (1936), projetada em estilo protomoderna pelo arquiteto José Story dos Santos, localizada na Avenida Afonso Pena n. 1270. (Crédito: cartão-postal / reprodução).

A segunda sede dos Correios e Telégrafos em Belo Horizonte (1936) – projetada pelo arquiteto José Story dos Santos em uma arrojada linguagem protomoderna – foi construída em substituição à emblemática sede inicial, em estilo eclético, projetada por Francisco Izidro Monteiro em 1906 e demolida na década de 1930. Ambas as sedes, instaladas em diferentes endereços da Avenida Afonso Pena, serviram de temática para belos cartões-postais da capital. O chamado protomodernismo, que sobressai na obra dos Correios, é o estilo arquitetônico de transição entre o Art Déco e o modernismo.

5. Edifícios Helena Passig e Banco Mineiro da Produção
Edifício Helena Passig (esq.) e antiga sede do Banco Mineiro da Produção, atual P7 Criativo (dir.) – torres modernistas projetadas em 1953, localizadas na Praça Sete. (Crédito: cartão-postal / reprodução).

O Edifício Helena Passig, concebido pelo arquiteto mineiro Raphael Hardy Filho, e a antiga sede do Banco Mineiro da Produção (atual P7 Criativo), desenhada pelo mestre Oscar Niemeyer, são duas notáveis obras de esquina que figuram como marcos urbanos de um período de forte verticalização das construções na região central da capital mineira. As duas torres modernas, criadas em 1953, destacam-se no coração de Belo Horizonte não só pelas elegantes formas aerodinâmicas que arrematam seus volumes voltados para a Praça Sete, mas também pelo harmonioso diálogo formal que estabelecem entre si. Além disso, esse belo dueto arquitetônico incorpora o modelo de inserção nas esquinas de Belo Horizonte, onde as curvas de edifícios de várias gerações arrematam seus típicos cruzamentos oblíquos.

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