O México e o Brasil oficializaram nesta quarta-feira (27) um acordo de cooperação para desenvolver o setor de biocombustíveis mexicano, reforçando a integração econômica e energética entre as duas maiores economias da América Latina. O anúncio foi feito após a assinatura de uma declaração conjunta pela ministra mexicana de Energia, Luz Elena González Escobar, e o vice-presidente brasileiro, Geraldo Alckmin, durante encontro na Cidade do México.
Detalhes do acordo
O documento prevê cooperação em produção, regulamentação, certificação e uso de biocombustíveis, com especial foco no etanol, biodiesel, combustíveis marítimos e sustentáveis para aviação. Segundo o ministro da Economia do México, Marcelo Ebrard, a expertise brasileira será fundamental:
“O Brasil possui tecnologia avançada em etanol e está pronto para compartilhar sua experiência com o México”, declarou Ebrard.
Além disso, os dois países assinaram um memorando de entendimento para incentivar o comércio e o investimento, ampliando as possibilidades de integração econômica.
Contexto geopolítico
O acordo acontece em um momento de tensões crescentes entre o México e os Estados Unidos, seu principal parceiro comercial. Para analistas, a aproximação com o Brasil é estratégica para ampliar alternativas de cooperação internacional.
Ebrard destacou também que o México tem interesse em aprender com as capacidades brasileiras de exploração de petróleo e gás em águas profundas, setor no qual a Petrobras é referência global.
Situação atual do México
Apesar de ser um grande produtor de cana-de-açúcar e milho — matérias-primas essenciais para o etanol —, o México ainda possui produção comercial limitada de biocombustíveis e carece de uma regulamentação nacional que obrigue a mistura de etanol à gasolina ou ao diesel.
Esse cenário começou a mudar em março, quando a presidente Claudia Sheinbaum sancionou uma nova lei de biocombustíveis, que prevê incentivos fiscais, financeiros e de mercado para estimular o investimento privado e a inovação tecnológica no setor.
Especialistas avaliam que a introdução de metas obrigatórias de mistura pode transformar o setor mexicano. Um relatório de julho do escritório de advocacia Garrigues reforça que tais medidas “poderiam dar um grande impulso à indústria de biocombustíveis do México”.
Com o apoio do Brasil, o país poderá acelerar a criação de uma cadeia produtiva robusta, atraindo investidores e reduzindo sua dependência dos combustíveis fósseis importados.
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