ExxonMobil alerta: falta de investimento em petróleo e gás pode gerar crise global até 2050

A ExxonMobil lançou nesta quinta-feira (29) seu relatório Global Outlook – Nossa visão para 2050, no qual alerta que a falta de investimentos contínuos em petróleo e gás pode gerar uma crise de abastecimento global sem precedentes. Segundo a empresa, a produção mundial corre risco de declínio acelerado caso novas perfurações e avanços tecnológicos não sejam realizados.

O documento aponta que os poços de petróleo sofrem um declínio natural de até 15% ao ano. Caso não haja novos investimentos, o déficit pode chegar a 70 milhões de barris por dia (b/d) até 2030, o que provocaria forte escassez, disparada de preços e uma crise de emprego comparável à Grande Depressão da década de 1930.

Oferta em queda, demanda em alta

Mesmo em cenários mais conservadores, a ExxonMobil calcula que a produção cairia cerca de 4% ao ano se fossem mantidos apenas os campos atuais. A previsão é que a demanda global de petróleo passe de 100 milhões de barris diários hoje para até 120 milhões em 2050 em cenários de crescimento robusto.

Nos cenários de menor emissão de carbono, o consumo ainda se manteria em torno de 65 milhões de barris por dia, representando dois terços da demanda atual.

O gás natural segue a mesma tendência. Sem novos investimentos, a oferta global cairia 11% ao ano, gerando déficit equivalente a metade da demanda projetada até 2030. O relatório ainda prevê que o comércio de gás natural liquefeito (GNL) dobrará até 2050, puxado pela Ásia-Pacífico, que deve responder por 70% do crescimento.

Tecnologia como contrapeso

A ExxonMobil cita o desenvolvimento do petróleo de xisto nos Estados Unidos como exemplo de como a tecnologia pode mitigar o declínio natural dos poços. Desde 2008, a produção americana mais que dobrou graças ao fraturamento hidráulico e à perfuração horizontal.

De acordo com a empresa, o comprimento lateral médio dos poços no Permiano aumentou 2,5 vezes desde 2010, enquanto a intensidade de completação quadruplicou, ampliando a eficiência.

Expansão na Guiana e no Caribe

A ExxonMobil também destacou suas operações estratégicas em regiões de rápido crescimento. Na Guiana, o Bloco Stabroek já produz 650 mil b/d e deve superar 1,3 milhão de barris até 2027. Além disso, a companhia ampliou sua presença em Trinidad e Tobago, garantindo contratos de partilha em águas profundas.

Segundo a empresa, essas áreas serão essenciais para equilibrar o mercado global de petróleo e gás nas próximas décadas.

Urgência em investimentos sustentados

O relatório finaliza reforçando que investimentos contínuos na exploração e desenvolvimento de novos recursos são indispensáveis para preencher a lacuna entre a oferta e a demanda global até 2050.

Sem isso, o mundo corre risco de enfrentar não apenas uma crise energética, mas também impactos econômicos e sociais de grande magnitude.

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