Petrobras apoia plano da IG4 para assumir controle da Braskem

A Petrobras está aberta à proposta da gestora IG4 Capital para assumir o controle acionário da Braskem (BRKM3), maior petroquímica da América Latina. O movimento representa uma possível virada no futuro da empresa, atualmente controlada pela Novonor (ex-Odebrecht), e ocorre em meio a negociações com bancos credores e o governo federal.

Direito de preferência e protagonismo nas negociações

A estatal brasileira, segunda maior acionista da Braskem, tem direito de preferência sobre as ações da Novonor, de acordo com o atual acordo de acionistas. Por isso, qualquer mudança na estrutura de controle depende da anuência da Petrobras — o que torna seu apoio essencial para o avanço da operação.

Fontes próximas ao processo informaram que a Petrobras vê com bons olhos o plano da IG4 Capital, que prevê a aquisição da dívida bilionária da Novonor junto a bancos como o BNDES e sua conversão em ações da Braskem.

Avanço das negociações e possível reformulação da Braskem

As tratativas se intensificaram após a IG4 obter, na semana passada, exclusividade para negociar a compra da dívida da Novonor. Com isso, a gestora passou a ter direito de avançar diretamente com a Novonor e a Petrobras sobre os termos da troca de dívida por ações.

Segundo fontes ouvidas sob anonimato, se o ritmo atual das negociações for mantido, um acordo pode ser fechado nos próximos meses. A conclusão da operação levaria a uma reformulação na gestão da Braskem e abriria espaço para um novo ciclo de investimentos e melhorias de governança.

Apoio do governo Lula e expectativa de capitalização

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva demonstrou interesse em ver a Braskem fortalecida, segundo interlocutores do Palácio do Planalto. Ele teria instruído a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, a buscar uma solução que não comprometa os interesses da companhia, mas que ajude na recuperação da petroquímica.

A chegada de um novo controlador também pode trazer capital fresco para a Braskem, que enfrenta pressões financeiras e desafios como a queda de margens no setor e os passivos ambientais ligados ao afundamento de bairros em Maceió (AL), causado pela mineração de sal-gema.

Dívida da Novonor trava futuro da Braskem há anos

A Novonor detém 50,1% das ações com direito a voto da Braskem e 38,3% do capital total. Já a Petrobras possui 47% do capital votante e 36,1% do total. A participação da Novonor foi usada como garantia de empréstimos de R$ 15 bilhões obtidos junto a bancos durante o período da Lava Jato. Hoje, a dívida já ultrapassa R$ 20 bilhões, valor que supera o valor de mercado atual da Braskem.

Diversas tentativas de venda da fatia da Novonor fracassaram nos últimos anos, incluindo negociações com o empresário Nelson Tanure, cujo período de exclusividade expirou recentemente.

Fontes ligadas à Petrobras afirmaram que, apesar do avanço com a IG4, ainda não se descarta completamente uma reviravolta com Tanure. No entanto, a estatal estaria disposta a buscar maior influência na gestão da Braskem assim que a Novonor abrir mão do controle.

Próximos passos

Ainda há incertezas sobre o desfecho do processo, mas as sinalizações de apoio da Petrobras e do governo indicam que, desta vez, a transação pode de fato avançar. Caso a IG4 Capital concretize a aquisição da dívida e converta o passivo em participação acionária, terá caminho aberto para liderar a reestruturação da Braskem e tentar resgatar a confiança do mercado.

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