Rael promete energia baiana em apresentação na Arena A TARDE: “Vai ser pra cima”

O rapper Rael chega a Salvador em um momento especial da carreira. Depois de seis anos sem lançar um disco solo, o artista voltou com “Onda”, álbum lançado em março que reúne colaborações de nomes como Mano Brown, Ivete Sangalo, Ludmilla e Marina Sena. O trabalho mistura rap, pop, soul, reggae, forró e MPB, e traz uma mensagem de leveza e alegria como forma de resistência.Neste domingo, 31, ele sobe ao palco do Festival A TARDE FM, na estreia da Arena A TARDE, e promete uma apresentação vibrante, repleta de sucessos e com a energia baiana que permeia sua trajetória. Em entrevista ao Portal A TARDE, Rael falou sobre o novo disco, a importância da curadoria do festival e sua conexão com a música da Bahia.Você já participou de diversos festivais importantes pelo Brasil. O que representa para você fazer parte da primeira edição do Festival A TARDE FM, em Salvador?Ah, eu já rodei vários festivais, cada um tem uma atmosfera diferente. Esse, em especial, me deixa muito honrado de fazer parte, por ser a primeira edição, né? E também pelo line-up: ver a Margareth, com quem já dividi trio, o BaianaSystem, Maria Gadú, Edson Gomes… sou muito fã de Edson Gomes também. Então me sinto muito honrado de integrar esse festival. E Salvador é uma cidade que eu amo, tenho muito, muito apreço.A proposta do festival é reunir gerações, ritmos e valorizar tanto nomes consagrados quanto artistas locais. Como você enxerga essa curadoria e o impacto dela na cena musical brasileira?Eu acho de extrema importância ter um festival com uma curadoria que se preocupa com diversidade e inclusão, trazendo também artistas que estão começando. Quando iniciei minha carreira, não lembro de festivais que tivessem esse olhar de fomentar a cena e dar continuidade às próximas gerações. É muito maneiro ver um festival que pensa dessa forma, valorizando a diversidade, a inclusão e o diálogo com novas gerações.O festival busca atrair também o público jovem e aposta em artistas com linguagem atual. Como você dialoga com esse público na sua música, especialmente com o novo álbum “Onda”?Eu sou um jovem de 41 anos, mas já com 26 de carreira. Tenho mais tempo fazendo música do que sem fazer. Vindo do rap, que é uma música de luta e resistência, a gente sempre está reivindicando, sempre lutando, sempre envolvido em várias questões. Dessa vez, quis vir diferente, trazer esse tipo de resistência e luta de outra maneira, com outra abordagem. O Onda fala exatamente disso: usar a alegria como arma de resistência. É dizer pras pessoas que elas têm o direito de serem felizes, de terem uma vida leve. A musicalidade e a sonoridade do álbum são isso: músicas pra você ouvir arrumando a casa, se preparando pra sair, curtindo a vida.A Bahia é berço de inúmeros gêneros e artistas que influenciaram a música brasileira. De que maneira a musicalidade baiana aparece ou ressoa no seu trabalho?A música baiana permeia o Brasil e o mundo. Acho que todo brasileiro teve contato com ela, especialmente no final dos anos 80 e início dos 90, com a ascensão do axé. No meu disco atual, tem muita gente da Bahia: Luedji Luna, Ivete, o guitarrista baiano, os compositores Rafael Chagas e Perro. Já produzi também com Rafael Dias, d’Atocha. Minha música sempre carrega essa influência baiana. E a Bahia sempre traz novidade. Nos últimos tempos, o pagodão baiano ganhou ainda mais espaço nos festivais, com o BaianaSystem, a Atocha… e eu fico muito orgulhoso e animado de ver isso.

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Sabemos que o seu repertório está mais dançante e solar. Pensando no clima do festival e na energia do público baiano, o que o público pode esperar da sua apresentação?O público pode esperar uma apresentação pra cima, na vibe da Bahia. Muita alegria e energia. É bom vir preparado, trajado e hidratado, porque a gente vai queimar caloria junto (risos). Montei um repertório que mescla toda minha carreira. Tem um pouco de reggae, tem o pagodão baiano que gravei com Ivete, e hits que não podem faltar, como “Envolvidão” e “Ela Me Faz”. Vou estar acompanhado da banda do Tito, que é daqui da Bahia. Então o swing baiano vai estar presente no palco e a gente vai tirar uma onda juntos.“Onda” é um disco de movimento, leveza e resistência alegre. O que te motivou a trilhar esse caminho depois de um hiato de seis anos sem álbum solo?Esse equilíbrio vem do fato de não me desligar das minhas raízes. Minhas raízes estão sempre ao meu redor. Sou muito parceiro do Mano Brown, volto sempre à favela onde nasci e cresci. Meu disco é mais leve, mas tem uma rima numa música com Julian Marley, um rap com outro mano ali… então consigo equilibrar. Talvez no álbum essa presença do rap raiz não esteja tão marcada, mas ao redor do meu trabalho ela sempre está. O rap é ritmo e poesia: o ritmo pode ser qualquer um, mas a poesia é você, é sua arte.Você tem falado sobre a importância de manter a essência do hip hop mesmo ao explorar novos ritmos. Como manter esse equilíbrio entre inovação e raiz?Dialogar com as novas gerações é muito bacana e tenho essa preocupação. Já estou há 26 anos na estrada, mas gosto de observar o que está surgindo, aprender com os mais novos. Musicalmente, também flerto com essa galera: já fiz parcerias com Vitão, Matuê, John Onga. No Onda, trouxe Marina Sena, que é uma revelação da sua geração. Trago também influências de Afrobeat, da nova música popular brasileira, misturando com a oratória e a rima que vêm do rap. Isso conecta com as novas gerações.Após tantos anos de estrada e transformação, quem é o Rael de hoje? E qual “onda” você quer surfar nos próximos anos?Agora estou em uma fase de transição. Depois de 12 anos no Laboratório Fantasma, começo uma nova etapa, com uma equipe empolgada para criar e produzir. Estamos com a turnê Nova Onda na rua. E a “onda” que quero surfar no próximo ano é a da criatividade: fazer feats, entrar em estúdio, criar coisas novas e trazer novidades pro mundão.

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