
Pescadores ajudam nas buscas por último náufrago no litoral de SP
As buscas pela família que naufragou há uma semana em Itanhaém, no litoral de São Paulo, continuam com apoio de pescadores voluntários. Dos três tripulantes da lancha, dois corpos já foram encontrados e identificados: o da mãe, Maria Aparecida da Silva Dias, e o do filho, o veterinário Bruno Silva Dias. O pai, Lucídio Francisco Dias, segue desaparecido.
Os três saíram para pescar na embarcação de Bruno no último sábado (23), data em que a marina de Guarujá, de onde partiram, recebeu um pedido de socorro — o último contato com os tripulantes.
Ao g1, o presidente da Associação dos Pescadores de Itanhaém, Anderson Café, contou que pescadores se uniram e passaram a realizar buscas pelos tripulantes desde o último sábado (23), após serem procurados pela família. A ação é coordenada por ele e começou por praias da Baixada Santista, mas se estendeu pelo litoral norte.
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Segundo Café, o direcionamento das embarcações foi feito com base na análise dos ventos e da maré. Atualmente, quatro embarcações procuram por Lucídio próximo à Ilha Anchieta, onde o corpo de Bruno foi localizado na sexta-feira (29).
Lucídio continua desaparecido
Reprodução
Ele afirmou ainda que o custeio do combustível está sendo realizado pela família das vítimas. No entanto, alguns dos pescadores que estão auxiliando no trabalho negaram a ajuda financeira, realizando o serviço de forma voluntária.
Os trabalhos estão sendo feitos com barcos de frete, que são alugados, e o uso foi autorizado pelos proprietários. A alimentação dos pescadores, que também não estão cobrando diárias de serviço, conta com apoio de Anderson.
O g1 solicitou mais informações sobre as buscas à Marinha do Brasil (MB), mas não teve retorno. Até quinta-feira (28), a corporação havia informado que as buscas totalizavam 100 horas ininterruptas de trabalhos e a atuação de 82 militares. A varredura feita pelos profissionais correspondia a 3.900 km².
Corpos identificados
Vídeo mostra lancha desaparecida em naufrágio sendo recuperada no litoral de SP
O corpo de Maria Aparecida foi encontrado na terça-feira (26), na direção da Barra do Sahy, em São Sebastião (SP). O GBMar informou que o cadáver foi levado ao Instituto Médico Legal (IML) de Caraguatatuba (SP), onde foi reconhecido por familiares.
A corporação explicou que o corpo foi retirado da água pelos bombeiros após ter sido localizado por equipes da Marinha do Brasil e da FAB. Ainda de acordo com o GBMar, a mulher estava com colete salva-vidas.
O corpo de Bruno Silva Dias foi localizado na sexta-feira (29), em mar aberto, próximo à Ilha Anchieta, em Ubatuba (SP). A informação foi confirmada ao g1 pelo irmão da vítima, Jeferson Silva Dias. Assim como a mãe, Bruno também usava colete salva-vidas. Ele foi identificado por meio de digitais e uma tatuagem. O corpo foi encaminhado ao IML de Caraguatatuba.
A Marinha do Brasil localizou a lancha “Jany” na quarta-feira (27), também em São Sebastião (SP). Por meio de nota, o órgão informou que a embarcação será transportada para a Capitania dos Portos de São Paulo (CPSP) e passará por perícia.
Também na quarta-feira (27), foi encontrado um corpo em estado avançado de decomposição em Guarujá, cuja identidade ainda é desconhecida.
A Capitania dos Portos de São Paulo (CPSP) instaurou um inquérito para apurar as causas do naufrágio da lancha “Jany” e informou que a embarcação será utilizada como apoio nas investigações sobre as circunstâncias do acidente.
Sobre os tripulantes?
Segundo apurado pela equipe de reportagem, Bruno e os pais viviam em Matão, no interior de São Paulo, mas se mudaram para Guarujá. O veterinário veio para a cidade, há aproximadamente três anos. Os pais dele, Lucílio e Maria Aparecida, resolveram morar no litoral paulista há cerca de um ano.
O g1 ainda apurou que Bruno é casado e tem um filho de 11 anos. Com a esposa, ele é proprietário de uma clínica veterinária inaugurada em agosto do ano passado no bairro Pitangueiras, em Guarujá.
Segundo apuração da reportagem, Lucílio é conhecido como Seu Dias. Ele atuava com consertos de equipamentos, como ar-condicionado e micro-ondas, durante o dia, mas no período noturno, trabalhava como auxiliar de veterinário na clínica do filho, que funciona 24h.
Conhecida como Dona Cida, o g1 apurou que Maria Aparecida estava em processo de aposentadoria e ajudava nos cuidados com o neto, de 11 anos.
Entenda o caso
Familiar gritou por tripulantes durante buscas por lancha desaparecida no litoral de SP
O Cobom Marítimo foi acionado, no sábado (23), para o naufrágio de uma embarcação com três tripulantes, ocorrido a aproximadamente 25 quilômetros da costa de Itanhaém, nas proximidades da Ilha da Queimada Grande, popularmente conhecida como Ilha das Cobras.
Segundo o GBMar, a solicitação foi feita pelo proprietário de uma marina, que disse ter recebido o pedido de socorro de um dos tripulantes e perdido o contato com ele. “A embarcação em questão é uma lancha de 21 pés, equipada com motor Yamaha de 60HP, cuja última localização registrada foi nas coordenadas 24º20’19,8”S / 46º36’19,02”W”, afirmou a corporação.
Depois que recebeu a ocorrência, o GBMar comunicou a Marinha do Brasil, por conta do mau tempo e baixa visibilidade. A Marinha e a Força Aérea Brasileira (FAB) realizam os trabalhos de buscas.
Segundo a Capitania dos Portos, o trio estava em uma lancha de nome “Jany”, que pode ter naufragado. No entanto, não há confirmação do que teria ocorrido com a embarcação, pois não foi encontrada nenhuma evidência, como destroços ou alguma outra prova, que comprove uma situação de naufrágio.
Lancha desapareceu após enviar pedido de socorro no mar na região de Itanhaém
Arte g1
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