Mercados de petróleo se preparam para um inverno desafiador, em meio a projeções de excesso de oferta e desaceleração da demanda nos principais centros consumidores globais. A edição mais recente do relatório de mercado, divulgada em 29 de agosto de 2025, aponta que, apesar da resiliência dos preços durante o verão, as perspectivas para os próximos meses são cada vez mais pessimistas.
Fim dos cortes da Opep+ e impacto no equilíbrio do mercado
A partir de 1º de setembro, a Opep+ terá concluído a descontinuação de seus cortes voluntários de produção, implementados nos últimos anos para sustentar os preços. Esse movimento coincide com a queda sazonal do consumo no Oriente Médio, onde o petróleo é utilizado intensivamente na geração de energia durante os meses mais quentes, e com a esperada retração da demanda da OCDE no fim do ano.
O resultado é um cenário em que muitos analistas enxergam um excesso de oferta significativo, pressionando os preços internacionais do barril.
Divergência nas projeções: Opep x AIE
A Opep é a principal voz otimista no mercado, projetando um crescimento robusto da demanda global até o fim de 2025. Segundo a organização, o aumento será de 1,29 milhão de barris por dia (b/d), impulsionado pelo consumo em economias emergentes e pela recuperação de setores industriais.
Em contraste, a Agência Internacional de Energia (AIE) prevê apenas 680 mil b/d de crescimento no ano, refletindo preocupações com o desaquecimento da economia global, maior eficiência energética e a expansão de alternativas renováveis.
Já o Morgan Stanley, em nota de 21 de agosto, aponta que o consenso de mercado gira em torno de 850 mil b/d, reforçando a percepção de que o risco de excesso de oferta é real e pode se acentuar no inverno.
Teste decisivo para os preços
O quarto trimestre será um teste decisivo para o equilíbrio do mercado de petróleo. Se as projeções mais pessimistas se confirmarem, os preços poderão cair de forma acentuada, com impactos diretos na receita dos países exportadores e na dinâmica das grandes companhias de energia.
Por outro lado, a resiliência observada nos preços até aqui mostra que ainda há fatores de suporte, como tensões geopolíticas, estoques limitados em algumas regiões e movimentos especulativos de investidores financeiros.
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