Brasil deve instalar 13 GW de energia solar em 2025, mas ritmo desacelera

Mesmo com previsão de acréscimo de 13,2 gigawatts (GW) à matriz energética brasileira em 2025, o setor de energia solar começa a dar sinais de desaceleração, segundo a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar). Os dados foram divulgados durante a abertura do evento The smarter E South America, em São Paulo, que reúne as feiras Intersolar, EES, Power2Drive e Eletrotec Mpower.

Crescimento desacelera frente a 2024

O Brasil, atualmente o quarto país com maior volume de novas conexões solares em 2024 e sexto em capacidade acumulada, deve encerrar 2025 com 67,1 GW de capacidade instalada. No entanto, o número representa um avanço inferior ao de 2024, quando foram adicionados 15,7 GW.

A geração distribuída, que inclui sistemas residenciais e comerciais, deve responder por 8,5 GW em 2025 — abaixo dos 10 GW do ano anterior. Já a geração centralizada (em grande escala) deve adicionar 4,6 GW, também inferior aos 5,7 GW registrados em 2024. A capacidade acumulada será dividida entre 45,3 GW de geração distribuída e 21,9 GW centralizada.

Incertezas regulatórias e entraves técnicos

Rodrigo Sauaia, CEO da Absolar, alertou para os riscos da ausência de políticas públicas robustas em meio à expectativa global por metas de descarbonização na COP 30, que será realizada em Belém (PA). Ele criticou a retirada de subsídios para fontes renováveis, enquanto os combustíveis fósseis seguem com incentivos.

Sauaia também mencionou estudos do Inesc que mostram que os combustíveis fósseis ainda recebem 4,5 vezes mais benefícios que as renováveis. Entre os pontos de atenção estão:

  • Fim dos descontos em TUSD e TUST para novas concessões de energia solar.

  • Trâmite de MPs (Medidas Provisórias) que podem alterar tarifas e regras de operação.

  • Falta de clareza regulatória sobre armazenamento de energia.

MPs em debate no Congresso

Três medidas provisórias que tramitam no Congresso podem impactar o setor:

  • MP 1.300: trata da abertura do mercado livre e ajustes nos descontos para usinas já em operação.

  • MP 1.304: muda regras da Conta de Desenvolvimento Energético, exigindo contribuições dos beneficiados.

  • MP 1.307: obriga ZPEs a consumirem apenas energia renovável — mas enfrenta pressão para incluir fontes térmicas e nucleares.

Armazenamento é peça-chave para expansão

O Brasil pode perder até R$ 1,7 bilhão apenas com a redução da geração solar em 2025, causada por restrições na rede elétrica. A solução apontada é o uso de baterias para armazenar energia excedente, com base em critérios técnicos como modularidade e serviços auxiliares.

Hoje, o país possui cerca de 800 MWh de capacidade em baterias, metade delas em áreas isoladas. A ABSAE recomenda contratar ao menos 2 GWh nos próximos leilões, mas alerta para a ausência de regras claras sobre:

  • Receita acumulada com armazenamento

  • Classificação dos prestadores de serviços

  • Cobranças duplas de tarifas (TUST)

A regulamentação será fundamental para viabilizar o primeiro leilão específico de armazenamento no Brasil.

Amazônia e mobilidade elétrica como prioridades

Na região amazônica, integrar energia solar e baterias é visto como essencial para reduzir emissões em sistemas isolados e garantir acesso à eletricidade em comunidades remotas. Paralelamente, a mobilidade elétrica está ganhando espaço como vetor estratégico da transição energética.

“Instalações eficientes são essenciais para aproveitar cada watt gerado”, afirmou João Gilberto Cunha, da Eletrotec Mpower. Já Ronaldo Koloszuk, da Absolar, lembrou que apesar das perdas bilionárias esperadas em 2025, o setor caminha para um futuro mais resiliente, com soluções como armazenamento e veículos elétricos.

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