O Departamento de Energia dos Estados Unidos (DOE) divulgou que quatro países da União Europeia — Holanda, Alemanha, Itália e França — e o Egito figuram entre os cinco maiores importadores de gás natural liquefeito (GNL) dos EUA em junho de 2025. A movimentação reforça a tendência de realinhamento energético global, com a Europa reduzindo sua dependência do gás russo e buscando fontes mais seguras e alinhadas com seus objetivos climáticos.
Exportações em alta: EUA consolidam papel de potência energética
Segundo o relatório mensal do DOE, os EUA exportaram 691,2 bilhões de pés cúbicos (bcf) de gás natural e importaram 253,5 bcf no período, com exportações líquidas de 437,7 bcf. Desse total, 406 bcf foram exportados na forma de GNL para 34 países.
A Europa respondeu por 62% dessas exportações, totalizando 251,7 bcf. Os demais destinos foram:
- Ásia: 86,7 bcf (21,4%)
- América Latina e Caribe: 42 bcf (10,3%)
- África: 25,6 bcf (6,3%)
Comparando com junho de 2024, o volume total de GNL cresceu 13,9%, apesar da queda de 6,9% em relação a maio deste ano. Países sem acordos de livre comércio (não-FTA) concentraram 86,4% das exportações.
Europa se destaca: Holanda e Alemanha na dianteira
Os cinco principais destinos do GNL americano concentraram 50% das exportações:
País | Volume (bcf) | Participação (%) |
Holanda | 62,1 | 15,3 |
Alemanha | 45,7 | 11,3 |
Itália | 42,3 | 10,4 |
França | 27,3 | 6,7 |
Egito | 25,6 | 6,3 |
A União Europeia aparece como protagonista ao substituir o fornecimento russo por contratos com os EUA, que se posicionam como fornecedores estáveis e com excedente produtivo.
Gás, IA e competitividade: corrida global por infraestrutura
A janela de oportunidade para garantir posições estratégicas no setor de GNL é agora. O especialista Ryan Duman destaca que empresas que agirem cedo podem capturar os melhores ativos e firmar acordos com hubs de demanda, inclusive aqueles ligados à inteligência artificial (IA), que exige fornecimento energético intensivo e confiável.
A WoodMac prevê aumento de 33% na demanda norte-americana por gás — considerando mercado interno e exportações — nos próximos 10 anos, passando de 1,26 trilhão de metros cúbicos em 2025 para 1,67 trilhão em 2035.
Reformas nos EUA aceleram infraestrutura energética
Nos EUA, mudanças regulatórias vêm impulsionando investimentos. A Lei One Big Beautiful Bill impôs prazos máximos para licenças ambientais:
- 180 dias para revisões ambientais simples
- 1 ano para avaliações completas de impacto ambiental
Além disso, 27 projetos de gasodutos interestaduais estão em andamento, totalizando 15 bcf/d em nova capacidade, com forte influência das políticas regionais.
Corrida por transição energética global: investimento trilionário até 2050
A WoodMac calcula que serão necessários entre US$ 72 trilhões e US$ 117 trilhões até 2050, dependendo da velocidade da transição energética. A China e a Europa lideram em alinhamento político e investimentos, com lacunas de capital menores (44% e 43%, respectivamente). Os EUA, no entanto, enfrentam um déficit de 83%, limitado por entraves políticos.
Enquanto isso, a energia nuclear, geotérmica e IA ganham espaço, enquanto o petróleo se aproxima do pico de demanda na próxima década. O gás natural, por outro lado, vive seu auge.
O avanço das exportações de GNL dos EUA, com foco na Europa e no Egito, revela a reconfiguração geopolítica do setor energético. A consolidação americana como fornecedora de gás natural ocorre em paralelo à modernização regulatória e à ascensão de novas tecnologias energéticas. Para os próximos anos, a chave estará em antecipar movimentos, firmar parcerias estratégicas e alinhar infraestrutura com demanda global.
O post Exportações de GNL dos EUA crescem e UE assume protagonismo global apareceu primeiro em O Petróleo.