
UEMG e Lar São Vicente de Paulo firmam parceria para apoiar idosos em Passos
No Lar São Vicente de Paulo, em Passos (MG), os dias ganharam novas cores. Onde antes reinava a monotonia, agora ecoam risadas, versos, traços de tinta e melodias sertanejas. É ali que a Universidade Aberta para a Maturidade, projeto da UEMG, floresce como um sopro de vida para o público 60+.
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Duas vezes por semana, a sala simples se transforma em palco de memórias e esperanças. Maria Aparecida de Jesus, com sua cartela de bingo e o pincel na mão, coloca no papel um sonho que ainda guarda com carinho. “Eu sinto que um dia eu ainda vou ter uma casa e vou ter um coelho e vou ter um tanto de árvores”, contou a aposentada.
Entre tintas, poesias e cantorias: idosos escrevem novos capítulos em lar de Passos (MG)
EPTV/Reprodução
Zenaide Costa e Silva, apaixonada por notícias e poesia, desenha a televisão que não perde de vista, e aproveita para lembrar que também escreve versos, afinal, é poeta de si mesma. “Eu gosto de desenhar e gosto de escrever. Faço poesia também, eu sou poeta”.
Já o José Reis da Silva prefere os contornos de casas, reflexo da vida de corretor de imóveis que um dia exerceu. Entre desenhos, deixa escapar a voz firme que canta modas sertanejas, arrancando aplausos dos colegas e enchendo o lar de lembranças do sertão.
Para os jovens voluntários, o aprendizado é tão profundo quanto o dos idosos. “É um privilégio, eu acho que é uma oportunidade muito grande estar aqui”, conta Kezia Fernandes Vieira, estudante de medicina.
“A nossa sociedade está envelhecendo, e existe um grande desafio que é inserir os idosos e resgatar a autonomia, o respeito com esses atores importantes. E aqui, lidando com eles no dia a dia, a gente entende quais são as necessidades e a importância de cada profissão”, concluiu a voluntária.
A criadora do projeto, Leila Maria Suhadolnik, sonhava justamente com isso: uma universidade sem muros, capaz de chegar até onde o conhecimento é mais urgente. “É um trabalho de extensão muito importante. É a universidade saindo do campo pedagógico e indo ao encontro das pessoas, da sociedade, e prestando esse trabalho que é muito valioso”.
Quase seis meses depois do início da parceria, os resultados são claros: idosos que antes recusavam convites agora aguardam ansiosos pela chegada das atividades. O lar deixou de ser apenas um abrigo para se tornar espaço de encontros, descobertas e sonhos revividos.
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