Os preços da gasolina vêm caindo consistentemente em 2025, e a explicação para esse movimento está longe de ser política. A principal razão está na combinação de aumento da oferta global de petróleo, estoques elevados e crescimento da demanda abaixo do esperado. Enquanto setores políticos tentam creditar a queda a ações do presidente dos EUA, os dados mostram que forças de mercado globais são as verdadeiras protagonistas.
Produção global supera a demanda
A OPEP+ anunciou o fim dos cortes voluntários de 2,2 milhões de barris por dia até setembro de 2025, uma decisão que gerou impacto imediato no mercado. Paralelamente, países fora da OPEP, como EUA, Brasil e Guiana, seguem ampliando sua produção, elevando a oferta global em cerca de 2,5 milhões de barris por dia em 2025. Este volume supera o crescimento da demanda e tem pressionado os preços para baixo.
Demanda enfraquecida nos principais mercados
Do lado da demanda, o consumo global tem frustrado expectativas. China, Índia e Brasil registraram crescimento aquém do esperado, enquanto nos países da OCDE, o consumo está praticamente estagnado. O Japão viu sua menor demanda em décadas, e o crescimento do PIB dos EUA desacelerou para 1,4%, o que reduziu o consumo interno de combustíveis.
Estoques de petróleo atingem maior nível em 46 meses
Os estoques mundiais de petróleo subiram por cinco meses seguidos, alcançando 7,8 bilhões de barris — o maior nível em quase quatro anos. Esse aumento sustentado é um claro sinal de excesso de oferta, que historicamente antecipa quedas mais acentuadas nos preços.
Políticas presidenciais têm impacto limitado
Apesar das tentativas de associar a queda dos preços da gasolina a políticas do presidente Trump, a análise de Rapier mostra que nenhuma gestão isolada foi responsável por movimentos estruturais na produção de petróleo dos EUA nos últimos 24 anos. De Bush a Biden, o que realmente moldou o cenário foram eventos como:
- O boom do fracking e da perfuração horizontal;
- A guerra de preços da OPEP em 2014-2016;
- O impacto da pandemia de COVID-19 em 2020;
- E, mais recentemente, a invasão da Ucrânia pela Rússia, que elevou os preços e incentivou nova produção.
A produção de petróleo, por exemplo, cresceu em ritmo recorde sob Obama e Biden, mesmo com políticas energéticas voltadas à transição verde. Em 2023 e 2024, os EUA quebraram recordes de produção, superando o ápice de 2019, sob Trump. Em 2025, a produção deve crescer cerca de 2%, com base nos dados até agosto, mas sem apresentar um “salto” expressivo.
EUA agora sofrem com petróleo barato
Antigamente, petróleo mais barato era considerado uma vitória para a economia americana. Em 2005, os EUA importavam 12,5 milhões de barris por dia. Hoje, são exportadores líquidos, o que significa que o baixo preço do petróleo prejudica a indústria doméstica, reduz receitas de exportação e amplia o déficit comercial.
Portanto, se por um lado o consumidor comemora o alívio nos postos de gasolina, por outro, a economia americana sofre perdas importantes em termos macroeconômicos.
Mercado manda mais que a política
A narrativa de que presidentes influenciam decisivamente o preço da gasolina ignora a realidade de um mercado global complexo, dominado por:
- Decisões estratégicas da OPEP+;
- Eventos climáticos que afetam a produção;
- Avanços tecnológicos como o fracking;
- E ciclos econômicos internacionais.
A queda atual dos preços da gasolina é resultado da dinâmica entre oferta global em expansão, demanda estagnada e estoques crescentes — uma equação que ultrapassa em muito os limites da política de Washington.
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