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“É perigosa por esse ímpeto, acaba dando cabeçadas, fazendo faltas, o que é perigoso. Já estudei o jeito dela e não vou deixá-la confortável. Vou tomar os devidos cuidados para ter o controle do combate, não sair com nenhum corte e claro, com meu cinturão”, garante. Preparação para o combateSão sete vitórias em sete lutas, sendo duas por nocaute no histórico excepcional de Bia. Do outro lado, um nome igualmente grande – Moneo tem 16 vitórias, sendo três por nocaute, e apenas duas derrotas em 18 lutas até aqui. “É uma atleta experiente. Todas as atletas que eu enfrentei até hoje tinham um cartel muito bom, uma experiência boa”, opina Bia.“Estou explorando os pontos fracos dela, que por sinal são bastantes, mas ela é uma atleta muito agressiva, que busca o combate o tempo todo. Não é muito técnica, e isso me facilita saber o que executar na hora do combate”, continua.
Bia Ferreira, boxeadora baiana
| Foto: COB
“Estou treinando tudo, principalmente as coisas que errei na luta anterior, para não acontecer o mesmo erro. Acredito que ela vai estudar minha luta anterior para tentar se sobressair. A gente já fez um plano e está executando o treino em cima disso para poder surpreendê-la. Tenho que estar atenta o tempo todo para não dar brecha”, finaliza.A experiência de Moneo encara a força imparável de Bia com as luvas na mão, tendo a baiana sido medalhista de prata nas Olimpíadas de Tóquio e de bronze em Paris, bicampeã pan-americana e bicampeã mundial, e eleita duas vezes atleta brasileira do ano em 2019 e 2023.“O boxe profissional é assim – quanto mais você luta, mais experiência você adquire. A cada combate eu aprendo algo novo, vivencio momentos diferentes, e isso me dá mais confiança e mostra minha evolução. É um perigo para ela e para mim: ela é veterana, já lutava por títulos quando eu estava na Olímpica, mas acredito que vai ser um bom combate e que tenho tudo sob controle”, avalia.
Bia Ferreira, prata em Tóquio 2020
| Foto: Jonne Roriz/COB
Dentro de casaA luta reúne muitos marcos em dez rounds – além de ser a primeira representação feminina no card da Spaten, marca o primeiro grande duelo de Bia em casa, no Brasil, com a família na plateia e a maior torcida de pertinho. “Estou muito feliz, queria muito essa luta, queria muito estar lutando nesse evento incrível. Minha mãe vai assistir pela primeira vez, junto com minha irmã. Fora o público que me conhece e sabe todo o corre que fizemos para chegar até aqui. Vai ser uma luta muito especial, estou treinando para dar um show e representar todo mundo”, promete.A representatividade, é claro, não se resume ao Brasil. Ícone do boxe e do esporte feminino, a baiana é referência para todas as jovens aspirantes a lutadoras que a veem em todos os pódios mundo afora, tanto olímpicos quanto profissionais.
Bia Ferreira vencendo o primeiro cinturão
| Foto: Reprodução I Instagram
“Espero ser a primeira de muitas, que o evento continue e convide outras atletas do boxe feminino. Vou mostrar que mulher é boa em qualquer coisa que faz, e incentivo outras a praticarem o esporte, seja o boxe olímpico ou profissional”, garante. “Ainda não temos um cenário muito grande no boxe profissional feminino, mas é um passo de cada vez. Eu mesma tive referências e hoje estou aqui. Quero ser referência também para o futuro”, diz.Bia no Fight NightO interesse de Bia no evento é antigo, desde que no ano passado assistiu às lutas que integraram o card da primeira edição. Quando soube que aconteceria uma segunda, a vontade de lutar veio de imediato. “A primeira edição foi incrível, lembra o boxe dos anos 80, todo mundo muito arrumado, chique. Foi mágico demais. Essa segunda vai ser ainda melhor, e estar no card é sensacional. Quando deu certo, fiquei super feliz e animada para começar os treinos”, conta.
Bia Ferreira, boxeadora baiana
| Foto: Alexandre Loureiro/COB
Além de Bia e Maira, o card conta com lutas entre Hebert Conceição e Yamaguchi Falcão, além do duelo entre Vanderlei Silva e Vitor Belfort, ambas desde já desejadas por Bia. “Vai ser uma noite incrível, um show. O Hebert e o Yamaguchi vão fazer um belo combate, estão se provocando o tempo todo, e estou louca para ver a revanche do Vitor e do Wanderlei, vou estar lá assistindo. São grandes pioneiros do esporte, e eu vou estar de olho em tudo para aprender também”, afirma. A recíproca é verdadeira – Hebert, baiano e integrante do card, enxerga Bia como um ponto alto do evento: “A disputa de título feminino no Brasil dá essa oportunidade para a Bia, ajudando na construção da carreira e imagem dela como ídolo no país”.Dona do cinturãoA meta, então, é manter o cinturão a todo custo, mesmo enferentando um “trem desgovernado” com técnicas menos olímpicas, mais profissionais e tão diferentes das de Bia. “O boxe olímpico é mais cauteloso, previne muitos atritos. A mudança para o profissional me assustou um pouco, porque sou uma atleta muito correta”, explica a baiana.“No profissional não pode evitar tanto. Percebi que às vezes eu recuava quando deveria avançar, mas é para ir para cima até o árbitro parar. Aos poucos fui aprendendo isso nos treinos e sparrings. No olímpico você faz várias lutas, no profissional é uma só e mais longa, dá para machucar mais. Estou aprendendo e entrando no ritmo”, conta.
Bia Ferreira com o cinturão
| Foto: Reprodução I X
A invencibilidade prova que o aprendizado tem sido efetivo, e o cinturão já se acostumou à mãe que tem desde que ela chegou ao profissional. Para quem tenta tirá-lo dela, então, a mensagem é uma só: “Treinem muito, porque eu estou treinando muito. O cinturão é como se fosse meu filho, vou defender ele até o final. Para tirar de mim, vão ter que estar muito preparados”.A luta será transmitida ao vivo na Globo, SportTV e Combate no dia 27 de setembro.