As relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos entraram em uma espiral de confronto em 2025, impulsionando riscos geopolíticos com impactos severos nos setores de commodities, tecnologia e cadeias globais de suprimentos. A decisão dos EUA de aplicar tarifas de 50% sobre as importações brasileiras com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) e na Lei Magnitsky resultou em retaliações imediatas por parte do governo brasileiro — incluindo o não reconhecimento de decisões judiciais estrangeiras sem homologação interna e ações legais em tribunais americanos.
Exportações brasileiras em queda: perdas superam US$ 1 bilhão
Desde abril de 2025, as exportações agrícolas brasileiras para os EUA caíram 60%, afetando fortemente setores como carne bovina, soja e café. Estima-se que gigantes do agronegócio tenham perdido cerca de US$ 1 bilhão. O impacto também se estende à indústria de base:
- Exportações de máquinas caíram 23,6%;
- Exportações de aço recuaram 5,6%;
- Minerais de terras raras enfrentam barreiras adicionais.
Esses materiais, essenciais para a indústria de defesa e veículos elétricos, colocam o setor tecnológico em alerta diante da instabilidade nas rotas de abastecimento.
Brasil busca refúgio no BRICS, mas enfrenta novos riscos
Em resposta, o Brasil redirecionou suas exportações para parceiros como China, Índia e União Europeia, além de intensificar acordos dentro do BRICS. O país também aposta na sua relevância na transição energética global, com foco em energia verde e minerais estratégicos. No entanto, surgem novos desafios:
- Volatilidade cambial;
- Dependência excessiva da economia chinesa;
- Conflitos internos entre Índia e China dentro do BRICS.
A posição de liderança do Brasil no grupo em 2025 amplia sua influência diplomática, mas também o expõe a vulnerabilidades estruturais.
Soluções diplomáticas travadas pela paralisia da OMC
A tentativa do Brasil de recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) enfrenta obstáculos, já que o Órgão de Apelação da instituição segue paralisado. Enquanto isso, os EUA impõem tarifas adicionais de 10% a países do BRICS, minando ainda mais os canais diplomáticos multilaterais. Como contramedida, o Brasil aplica a Lei da Reciprocidade, afetando:
- Patentes farmacêuticas;
- Tributação de serviços digitais de empresas americanas.
Mercado adota estratégia de equilíbrio
Apesar da escalada, investidores demonstram confiança na resiliência de longo prazo do Brasil, apostando em diversificação de mercados e cadeias produtivas. Segundo a Câmara de Comércio dos EUA e a AmCham Brasil, negociações de alto nível são urgentes para conter os danos econômicos, mas o cenário atual indica que a disputa é mais ampla: um embate por influência econômica e geopolítica global.
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